FoodBiz

Startup quer digitalizar o atacado que abastece restaurantes

A digitalização do foodservice brasileiro ganhou um novo capítulo com a trajetória de Samuel Carvalho, fundador da Praso. Criada em dezembro de 2021, em Recife, a startup nasceu com a proposta de modernizar o atacado B2B que abastece pequenos e médios restaurantes — um mercado estimado em mais de R$ 250 bilhões por ano no país e ainda fortemente concentrado em operações offline.

Samuel ingressou em Stanford aos 16 anos, com bolsa da Fundação Estudar, para cursar Ciências da Computação. Durante a pandemia, trabalhou na Stone e decidiu não retornar à universidade para concluir a graduação. Aos 19 anos, fundou a Praso ao lado de Fernando Hilfinger, CTO e também dropout, neste caso de Yale.

A inspiração veio da vivência familiar na indústria de alimentos, em Recife. Com negócios nos setores de açúcar, sorvetes e sucos, a família sempre operou com foco em eficiência e visão de longo prazo — pilares que hoje moldam a estratégia da startup.

A proposta da Praso é construir infraestrutura digital para o atacado. O modelo combina marketplace, logística própria e oferta de crédito estruturado. Segundo o fundador, a empresa consegue operar com eficiência superior à dos distribuidores tradicionais, que trabalham com margens entre 3,5% e 4%. Hoje, afirma, a companhia entrega cerca de 2,5 vezes a margem operacional de um distribuidor offline, apoiada em dados para precificação, crédito e gestão logística.

Em quatro anos, a empresa já atende mais de 10 mil restaurantes em Pernambuco, Ceará e Paraíba. São aproximadamente 130 funcionários e receita anual acima de R$ 300 milhões, com run rate superior a R$ 320 milhões. A meta é alcançar o primeiro R$ 1 bilhão nos próximos dois anos e chegar a R$ 3 bilhões até 2030.

A Praso opera com dois centros de distribuição — em Recife e Fortaleza — e ainda tem baixa penetração nas regiões em que atua, o que abre espaço para crescimento orgânico antes de novas expansões geográficas. Desde a fundação, a startup captou US$ 24 milhões em rodadas seed e Series A, com investidores como Base Partners, Valor Capital Group e NFX.

Diferentemente de muitas startups que priorizam crescimento acelerado com alto consumo de capital, a empresa buscou eficiência desde o início e atingiu o breakeven em 2025, menos de quatro anos após a fundação. A estratégia agora combina expansão territorial e avanço tecnológico, com investimento em inteligência artificial para personalização de preços, recomendação de produtos, previsão de demanda e automação de crédito.

Ao estruturar dados proprietários de compra, a companhia pretende reduzir rupturas, organizar estoques e substituir decisões baseadas apenas na experiência por análises orientadas por dados — criando uma camada de inteligência sobre um setor historicamente fragmentado.

A escolha de Recife como ponto de partida também foi estratégica. Em vez de migrar para o eixo São Paulo–Vale do Silício, os fundadores optaram por desenvolver tecnologia no Nordeste, atraindo talentos e contribuindo para a formação de um novo polo regional.

Aos 23 anos, Samuel afirma que o desafio agora é diferente: sair de R$ 300 milhões para R$ 1 bilhão exige outra estrutura, cultura e governança. A ambição, segundo ele, não é de curto prazo, mas de décadas.

O conteúdo original desta reportagem foi publicado pela Forbes, com reportagem de Jasmine Olga, em 26 de fevereiro de 2026.

Para ler a matéria completa, acesse o site da Forbes.

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