FoodBiz

Brasil ganhará sua primeira fábrica de glúten vital

freepik

Pela primeira vez, o Brasil terá uma fábrica dedicada à produção de glúten vital, um ingrediente estratégico para a indústria alimentícia nacional. A Be8, empresa responsável pela iniciativa, está implantando a unidade em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, a cerca de 290 km de Porto Alegre.

Produzido a partir do processamento da farinha de trigo, o glúten vital é um concentrado proteico que melhora a elasticidade e estrutura de massas — essencial na fabricação de pães, pizzas e massas em geral. Além da panificação, também é utilizado em formulações de medicamentos, cosméticos e até cremes dentais.

Redução da dependência externa

Hoje, toda a demanda de glúten vital no Brasil é atendida por importações, principalmente da China, Áustria, Bélgica e Alemanha. Só em 2024, o país importou 22,1 mil toneladas do insumo, segundo a Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo). Com a nova planta, a expectativa é reverter esse cenário: a produção estimada da Be8 ultrapassa 25 mil toneladas por ano, o suficiente para suprir todo o mercado interno.

O projeto conta com apoio do BNDES, que financiará R$ 290,2 milhões para a construção da unidade.

Inovação com foco em etanol e coprodutos

Apesar da novidade para a indústria alimentícia, a produção de glúten vital será, na verdade, um subproduto da principal atividade da fábrica: a produção de etanol a partir de grãos como milho, trigo e triticale. A planta também produzirá DDGS (grãos secos com solúveis), ingrediente amplamente utilizado em rações para nutrição animal.

A expectativa da Be8 é que a unidade atinja a capacidade de processar 525 mil toneladas de grãos por ano, gerando cerca de 209 milhões de litros de etanol anidro anualmente.

Parcerias com foco em genética e produtividade

Para garantir o fornecimento de grãos mais adequados à produção de biocombustíveis, a empresa fechou parcerias estratégicas com a Embrapa e a GDM. O objetivo é cultivar triticale e trigo com maior teor de amido e melhor adaptação genética — ampliando o rendimento e a eficiência industrial.

Com essa iniciativa, o Brasil avança em direção à autonomia na produção de glúten vital e fortalece a conexão entre as cadeias do agro, da alimentação e da bioenergia.


Fonte: O Globo

Compartilhar