FoodBiz

Horário de Verão: setor de bares e restaurantes defende a medida

canva

O Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou que está em análise o possível retorno do Horário de Verão em 2025. Ainda não há uma decisão oficial, mas os estudos estão em andamento com base nos desafios atuais do setor elétrico e nas novas dinâmicas de geração de energia.

Segundo o MME, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) está acompanhando a situação do sistema e fornecendo dados para apoiar uma decisão técnica. A avaliação considera o comportamento da geração de energia solar e eólica — fontes que não podem ser acionadas sob demanda — e sua relação com os horários de maior consumo de energia.

ONS alerta sobre risco de déficit e pode recomendar a mudança

Na última semana, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) publicou seu Plano de Operação Energética para 2025-2029 e chamou atenção para o risco de déficit de potência, especialmente nos horários de pico. Segundo o diretor de Planejamento da instituição, Alexandre Zucarato, o Horário de Verão poderá ser recomendado como uma medida “imprescindível” para garantir equilíbrio entre oferta e demanda.

A última vez que o Brasil adotou o Horário de Verão foi em 2018. A prática, que vigorava entre outubro/novembro e fevereiro/março, foi encerrada em 2019 por decisão do governo federal, sob o argumento de que o impacto econômico da mudança havia se reduzido.

Foodservice vê oportunidade econômica

Diante da possibilidade de retorno, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) tem se posicionado publicamente a favor da retomada. A entidade destaca os benefícios que a medida traz não apenas para o setor elétrico, mas também para a economia urbana.

“O horário de verão é uma solução de baixo custo, recomendada tecnicamente, e que tem impactos positivos na economia das cidades”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel. A associação argumenta que a medida favorece o fluxo de pessoas entre 18h e 21h — horário em que os estabelecimentos costumam registrar maior movimento. Segundo a entidade, bares e restaurantes chegam a ter aumento de até 50% no movimento nesse período, o que pode gerar um incremento de 10% a 15% no faturamento mensal de pequenos negócios.

No comércio varejista, lojistas do Rio de Janeiro e Espírito Santo estimam um crescimento de até 4% nas vendas em lojas de rua, caso o Horário de Verão seja retomado.

População também apoia

Além do respaldo técnico e econômico, a medida também parece contar com simpatia popular. Uma pesquisa realizada pelo Reclame Aqui em 2024 apontou que 55% dos respondentes são a favor do retorno do Horário de Verão (41,85% totalmente e 13,10% parcialmente), enquanto 28% se posicionam contra.

Com a análise técnica em curso e pressão de setores econômicos organizados, o governo ainda tem tempo hábil para decidir sobre a retomada em 2025. A recomendação do ONS e o apoio do setor de bares e restaurantes podem ser determinantes nesse processo.


Fonte: IstoÉDinheiro

Compartilhar