Celebrado anualmente na primeira sexta-feira de junho, o Dia Mundial do Donut homenageia um dos doces mais populares dos Estados Unidos. Apesar de sua forte presença na cultura americana, o produto ainda ocupa um espaço modesto no foodservice brasileiro — cenário que revela um potencial interessante para expansão.
Enquanto consumidores buscam cada vez mais experiências indulgentes, sobremesas diferenciadas e produtos visualmente atrativos, o donut surge como uma categoria capaz de agregar valor ao cardápio e aumentar o ticket médio em diferentes formatos de operação.
Como surgiu o Dia Mundial do Donut?
A data foi criada em 1938 pelo Exército da Salvação dos Estados Unidos para homenagear as voluntárias conhecidas como “Donut Lassies”, que distribuíam donuts e café aos soldados americanos durante a Primeira Guerra Mundial. Desde então, a primeira sexta-feira de junho se tornou uma celebração nacional da categoria.
Hoje, o Dia Mundial do Donut movimenta cafeterias, confeitarias e grandes redes em diversos países, com lançamentos especiais, promoções e sabores sazonais.
O donut ainda é uma oportunidade pouco explorada no Brasil
Dados da Wise Sales mostram que o donut está presente em apenas 1% dos estabelecimentos de foodservice do país. O número evidencia que, apesar da popularidade crescente nas redes sociais e da chegada de marcas especializadas, a categoria ainda possui baixa penetração no mercado brasileiro.
Entre os segmentos que mais trabalham com o produto, destacam-se:
- Cafeterias: 12% de penetração
- Padarias e confeitarias: 8%
- Confeitarias, docerias e lojas de bolos: 3%
O dado reforça uma conexão natural entre donut e café, tornando cafeterias um ambiente especialmente favorável para a categoria.
Apesar da baixa presença nos cardápios, o consumo está em expansão
Se a oferta ainda é limitada no foodservice brasileiro, a demanda mostra sinais de fortalecimento.
Dados do CREST/IFB apontam que o consumo de donuts movimentou aproximadamente R$ 656,7 milhões nos últimos 12 meses encerrados em março de 2026 (YE Mar’26), representando um crescimento expressivo de 78% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O volume de consumo também segue avançando. Foram registradas mais de 28,5 milhões de transações envolvendo donuts no período, um crescimento de 3% na comparação com o YE Mar’25.
Os números sugerem que a categoria está ganhando valor para o consumidor brasileiro, mesmo antes de alcançar uma presença mais ampla nos estabelecimentos.
Quando os brasileiros consomem donuts?
O consumo está fortemente associado a momentos de pausa e recompensa ao longo do dia.
As principais ocasiões são:
- Lanche da tarde: 44% do consumo
- Matinais: 40% do consumo
A concentração nessas ocasiões reforça a proximidade da categoria com cafeterias, padarias e operações voltadas para café da manhã e lanches rápidos.
Quem consome donuts no Brasil?
O perfil de consumo apresenta forte concentração entre jovens adultos.
- Consumidores de 25 a 34 anos representam cerca de 54% do consumo total
- As mulheres respondem por mais de 77% do consumo
O perfil indica uma categoria particularmente relevante para públicos urbanos, conectados a tendências de indulgência, conveniência e experiências gastronômicas.
Onde acontece o consumo?
Os principais canais de consumo de donuts no Brasil são:
- Padarias: aproximadamente 30%
- Supermercados e hipermercados: 23%
O resultado mostra que, além das cafeterias especializadas, existe espaço para crescimento em diferentes formatos de varejo alimentar.
Conveniência e indulgência impulsionam a categoria
Entre os principais motivadores de consumo identificados pelo CREST/IFB estão razões relacionadas à conveniência e à indulgência.
O destaque fica para o fator indulgência, que registrou crescimento de 26% em comparação ao YE Mar’25, indicando que os consumidores estão cada vez mais buscando pequenos momentos de prazer e recompensa em suas escolhas alimentares.
Esse comportamento acompanha uma tendência observada em diversas categorias de foodservice: a valorização de produtos capazes de proporcionar experiências sensoriais marcantes, mesmo em ocasiões rápidas de consumo.
Presença regional ainda é limitada
A distribuição regional também mostra espaço para crescimento.
Segundo a Wise Sales:
- Sudeste: 2% de penetração
- Sul: 2%
- Nordeste: 1%
- Centro-Oeste: 1%
- Norte: 1%
Mesmo nas regiões líderes, a presença ainda é baixa, sugerindo oportunidades para operadores que desejam diversificar seu portfólio de sobremesas e snacks.
O que explica o potencial da categoria?
O donut reúne características alinhadas às principais tendências de consumo observadas no foodservice.
Experiência e indulgência
Consumidores seguem buscando pequenos momentos de recompensa no dia a dia. Produtos recheados, cobertos e com apelo visual forte se encaixam perfeitamente nesse comportamento.
Versatilidade de sabores
Chocolate, pistache, doce de leite, frutas vermelhas e sabores sazonais permitem constante renovação do cardápio sem exigir mudanças estruturais na operação.
Forte apelo visual
Poucas categorias são tão compartilháveis nas redes sociais quanto os donuts decorados. Coberturas coloridas, recheios aparentes e edições limitadas ajudam a impulsionar a divulgação orgânica.
Combinação com bebidas
A forte presença em cafeterias não é por acaso. O donut funciona como um complemento natural para cafés, cappuccinos, frappés e bebidas geladas, favorecendo estratégias de combo e aumento do ticket médio.
Curiosidades sobre donuts
- O donut tradicional americano possui formato de anel para facilitar o cozimento uniforme da massa.
- A versão glazed, coberta por uma fina camada de açúcar, continua sendo uma das mais consumidas nos Estados Unidos.
- O americano médio consome cerca de 31 donuts por ano.
- O mercado americano conta com milhares de lojas especializadas na categoria.
- Algumas das maiores redes produzem milhões de unidades diariamente.
- Embora seja associado à cultura americana, receitas semelhantes já existiam em diferentes países europeus antes da popularização do produto nos Estados Unidos.
O que o foodservice pode aprender com essa categoria?
Os dados mostram um cenário curioso: enquanto o donut está presente em apenas 1% dos estabelecimentos de foodservice, ele já movimenta mais de R$ 656 milhões por ano e registra crescimento expressivo de consumo.
A combinação entre conveniência, indulgência, forte apelo visual e afinidade com ocasiões ligadas ao café cria um ambiente favorável para a expansão da categoria no Brasil. Para operadores que buscam inovação no cardápio, diferenciação e oportunidades de incremento de ticket médio, o donut pode representar um espaço ainda pouco explorado no mercado.
Para acompanhar mais tendências, dados e análises sobre o mercado de alimentação fora do lar, acesse também o Portal Foodbiz.
Fontes: Wise Sales e CREST/IFB (YE Mar’26).







