A Pernod Ricard, gigante francesa do setor de bebidas e dona de marcas como Absolut, Jameson e Royal Stag, registrou nesta quinta-feira (28) a maior alta de suas ações em mais de um ano. O salto — de até 8,5% na Bolsa de Paris — veio após a companhia divulgar resultados acima das projeções e sinalizar expectativa de melhora na demanda, especialmente com a retomada gradual da China.
Resultados do último ano fiscal
Encerrado em 30 de junho, o período foi marcado por:
- Vendas globais de €10,96 bilhões, queda orgânica de 3%, mas ainda um desempenho melhor que o esperado pelos analistas.
- Lucro líquido de €1,67 bilhão, avanço de 11% puxado pela redução de custos.
- Lucro operacional recorrente em €2,95 bilhões, recuo de 5,3%.
- Dividendo mantido em €4,70 por ação.
Os destaques vieram de mercados como França e Espanha, enquanto marcas premium continuaram crescendo na Índia.
O que esperar da China e dos EUA
O CEO Alexandre Ricard adiantou que o primeiro trimestre fiscal ainda deve ser pressionado pela demanda fraca na China e pelo ajuste de estoques nos Estados Unidos. No entanto, a expectativa é de que, a partir do segundo trimestre, as vendas em lojas duty free chinesas retomem força — especialmente no segmento de conhaques.
Nos EUA, tarifas adicionais continuam pesando, representando custo de cerca de €35 milhões. Já na China, o impacto estimado das tarifas sobre bebidas alcoólicas caiu para €45 milhões, bem abaixo das projeções iniciais. Parte dessas perdas deve ser compensada com reajustes de preços em diferentes mercados.
Eficiência e transição
A companhia concluiu um programa de eficiência de €900 milhões, que incluiu cortes de pessoal, e já projeta economizar mais €1 bilhão até 2029. Para 2025, o grupo enxerga o ano como um período de transição, com recuperação esperada no segundo semestre e perspectivas de crescimento anual entre 3% e 6% a partir de 2027.
Um mercado em ajuste
Mesmo com sinais positivos, a Pernod Ricard ainda enfrenta o arrefecimento da demanda global por destilados, depois do boom de consumo registrado no período pós-pandemia. A disputa comercial entre China, União Europeia e Estados Unidos segue como um dos principais pontos de atenção para o setor.
Fonte: Exame







