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Brasil avança na produção de combustíveis renováveis a partir do CO₂

Fábrica da European Energy, na Dinamarca, pioneira na produção de e-metanol no mundo

O Brasil começa a se destacar na corrida global pela transformação do dióxido de carbono em combustíveis de baixo impacto ambiental. Pesquisadores e empresas estão desenvolvendo tecnologias capazes de produzir gasolina, diesel e e-metanol a partir de CO₂ — alternativas que podem abastecer navios, caminhões e automóveis, setores em que a eletrificação ainda enfrenta grandes barreiras.

E-metanol a partir da cana

Na Universidade de São Paulo, o Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), em parceria com a FAPESP e a Shell, alcançou 98% de seletividade na produção de e-metanol a partir do CO₂ liberado durante a fermentação da cana-de-açúcar. O próximo passo é ambicioso: uma planta piloto capaz de gerar até três litros de combustível por dia até 2026.

Gasolina e diesel renováveis

Outra frente promissora é o projeto CO2CHEM, conduzido pela Repsol Sinopec Brasil em colaboração com a Hytron, o SENAI CETIQT e a própria USP. A iniciativa aposta na conversão de CO₂ e hidrogênio em combustíveis líquidos renováveis, utilizando energia limpa e até mesmo capturando o dióxido de carbono diretamente da atmosfera.

Referência global em transição energética

Esses avanços reforçam o papel do Brasil como referência na busca por soluções para a descarbonização de setores intensivos em emissões, como o transporte marítimo e o rodoviário pesado. O grande desafio, porém, está em tornar esses combustíveis competitivos frente aos fósseis. A aposta é que a escala industrial e a pressão de regulações internacionais acelerem sua viabilidade e impulsionem o país como exportador de energia limpa.

O movimento indica não apenas inovação tecnológica, mas também a construção de uma economia circular do carbono, na qual resíduos se transformam em recurso estratégico para o futuro da energia.


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Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

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