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Saudável ou ultraprocessado? O debate que chega até o iogurte nos EUA

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O que define um alimento ultraprocessado? A resposta a essa pergunta pode em breve transformar não apenas as gôndolas dos supermercados, mas também a forma como consumidores e empresas enxergam produtos considerados saudáveis — como o iogurte.

Nos Estados Unidos, o governo estuda criar um rótulo específico para alimentos ultraprocessados, parte de um esforço para reduzir doenças crônicas relacionadas à alimentação. A medida, porém, tem gerado forte reação da indústria, preocupada com o impacto sobre produtos formulados para oferecer benefícios nutricionais, como maior teor de proteína ou menor quantidade de açúcar.

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O caso do iogurte e o impasse da Danone

Quando a Danone lançou o Oikos Pro, seu iogurte com alto teor de proteína, o objetivo era simples: oferecer mais nutrição e menos açúcar em um produto de textura cremosa. Para isso, a empresa precisou ajustar o processo de fermentação e temperatura, buscando equilíbrio entre sabor e desempenho nutricional.

Agora, esse mesmo processo pode fazer com que o produto seja rotulado como “ultraprocessado” — uma classificação que, para o setor, não reflete o valor nutricional real.
“Não queremos ver alimentos ricos em nutrientes, como os laticínios, sendo demonizados”, afirmou Roberta Wagner, da International Dairy Foods Association, em defesa da categoria.

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Polêmica em torno da definição

O secretário de Saúde norte-americano, Robert F. Kennedy Jr., pretende estabelecer uma definição federal e um selo de ultraprocessados ainda este ano, medida que pode influenciar programas públicos de alimentação, como a merenda escolar.

Mas há um dilema central: o que exatamente torna um alimento ultraprocessado?
Dependendo dos critérios — ingredientes, grau de processamento ou densidade nutricional — o mesmo iogurte pode ser classificado ao lado de produtos como refrigerantes e biscoitos industrializados.

A incerteza preocupa um setor bilionário, que movimenta cerca de US$ 2,6 trilhões e tenta acompanhar a virada do consumidor em direção a produtos mais saudáveis e funcionais. Segundo a NielsenIQ, o iogurte grego já está presente em 74% dos lares americanos, impulsionado pela busca por proteínas e praticidade.

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Sistema NOVA e o impacto global

O debate é familiar ao Brasil. O sistema NOVA, desenvolvido por pesquisadores da USP, já separa os alimentos em quatro níveis de processamento — de naturais a ultraprocessados — e inspira políticas públicas mundo afora.

Nos EUA, ele é visto como referência científica, mas também como fonte de controvérsia. Isso porque a classificação pode incluir produtos com ingredientes funcionais ou enriquecidos, mesmo que tragam benefícios à saúde.

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Movimentos do mercado: de “não ultraprocessado” ao apelo da transparência

Enquanto o governo define os rumos da regulamentação, algumas empresas se adiantam. O Food Integrity Collective lançou o programa piloto “Non-UPF Verified”, que promete certificar produtos “não ultraprocessados”. A marca de água saborizada Spindrift é uma das pioneiras, destacando o uso exclusivo de frutas naturais em suas bebidas.

A tendência reflete uma nova demanda dos consumidores: saber o que há em cada produto e ter transparência na comunicação das marcas. É um movimento que também ganha força no Brasil, com o avanço das discussões sobre rotulagem nutricional e saudabilidade no foodservice.

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Um futuro em debate

Entre avanços científicos e pressões políticas, o desafio está em equilibrar inovação e clareza. Produtos que utilizam tecnologia para melhorar sua composição nutricional — como iogurtes proteicos, pães integrais ou carnes vegetais — podem ser injustamente rotulados, afetando sua percepção de valor.

Como resume o ex-funcionário do USDA, Jerold Mande, talvez o caminho mais rápido não seja criar uma definição, mas reduzir o uso de ingredientes ultraprocessados críticos, como o xarope de milho e farinhas refinadas.

Independentemente da decisão final, o tema evidencia uma mudança estrutural: o consumo consciente e a busca por alimentos naturais e funcionais deixaram de ser nicho e agora movem o centro das estratégias da indústria.


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Fonte: Bloomberg Línea

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