Bruno e Juliano Mendes ficaram conhecidos no início dos anos 2000 por desafiar o mercado brasileiro de cervejas. Quando fundaram a Eisenbahn, apostaram em um conceito simples e autêntico: seguir a tradicional lei de pureza alemã, que permite apenas três ingredientes — água, malte e lúpulo.
A ousadia deu certo. A marca catarinense abriu caminho para o crescimento das cervejas puro-malte, hoje responsáveis por cerca de 25% do mercado nacional.
Depois de venderem a Eisenbahn para o grupo Heineken, os irmãos buscaram um novo desafio: levar a mesma filosofia de simplicidade e qualidade para outro setor — o de queijos especiais.
Em 2013, Bruno e Juliano compraram a Queijos Pomerode, em Santa Catarina, e iniciaram a produção artesanal com apenas quatro ingredientes: leite, fermento, coagulante e sal. A empresa, que também detém a marca Vermont, processa 5 mil litros de leite por dia e produz cerca de 500 quilos de queijo, vendidos em empórios e supermercados de todo o país.
Com mais de 100 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o título de melhor queijo do mundo, os irmãos consolidaram uma reputação de excelência — sempre ancorada na busca por qualidade. “A perfeição não existe, mas existe a busca constante por ela”, resume Juliano Mendes.
Mesmo com o sucesso no nicho premium, que representa pouco mais de 6% do mercado brasileiro de queijos, os empreendedores decidiram mirar mais alto. Em 2025, a Vermont lançou um iogurte natural feito com apenas dois ingredientes: leite e fermento.
Nada de espessantes, corantes ou conservantes — uma proposta que segue a tendência de alimentos simples e naturais, cada vez mais valorizada pelos consumidores.
O produto estreou nas prateleiras da rede St Marche, especializada em itens premium, e já tem novos lançamentos no horizonte. Entre eles, um iogurte com colágeno, desenvolvido em parceria com a Genu-in, empresa da gigante JBS, voltado ao público preocupado com bem-estar e consumo de proteínas.
Além de atender à busca por produtos mais saudáveis, os iogurtes também representam um ganho estratégico. Enquanto apenas 10% do leite é aproveitado na produção de queijos, nos iogurtes esse número passa de 90% — o que aumenta a eficiência e a margem do negócio.
Para os irmãos Mendes, essa nova frente pode significar mais do que crescimento: é a chance de iniciar outra revolução no mercado de consumo brasileiro, agora de potinho em potinho.
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Conteúdo originalmente publicado pela Exame







