O Grupo Madero decidiu dar um novo passo no delivery. Depois de criticar o modelo de dark kitchen em 2022, a rede comandada por Junior Durski agora aposta nesse formato para expandir suas operações — e o produto escolhido para liderar essa virada são as empanadas.
Serão 292 cozinhas dedicadas exclusivamente à produção das empanadas, aproveitando a estrutura já existente dos restaurantes Madero. O lançamento nacional está previsto para o período pós-Natal, com vendas pelos aplicativos iFood e 99Food.
A decisão marca uma mudança significativa de postura. Em 2022, Durski afirmava que o modelo de dark kitchen não fazia sentido financeiro — por ter custos semelhantes aos de um restaurante tradicional, mas com faturamento menor. Três anos depois, com as finanças recuperadas e um produto ideal para viagem, o cenário mudou.
Veja também: Grupo Madero registra Receita Líquida trimestral de R$ 489 milhões no 3T
O Madero encerrou 2022 com dívida de R$ 1 bilhão e caixa de apenas R$ 35 milhões. Hoje, o quadro é outro: dívida reduzida para R$ 700 milhões, margem operacional de 21,6% e reserva de caixa de R$ 357 milhões.
Segundo Durski, o objetivo é usar os restaurantes como mini fábricas. A expectativa é vender 17 milhões de empanadas em 2026, o que pode adicionar até R$ 90 milhões ao Ebitda. Além disso, a marca pretende instalar 130 dark kitchens da Jeronimo (outra bandeira do grupo) dentro de unidades do Madero, fortalecendo o modelo híbrido entre as duas marcas.
Se o hambúrguer era o ponto fraco da entrega — esfriava e perdia textura — as empanadas resolvem essa questão. Elas são preparadas em apenas cinco minutos e mantêm o calor por até 50 minutos, segundo o CEO. Testes realizados desde julho, no Sul do país, mostraram bom desempenho. Quatro sabores — carne, queijo, queijo com cebola e frango — concentram 90% das vendas, facilitando a operação e o controle de estoque.
Com os resultados positivos, até janeiro de 2026, 130 dark kitchens do Jeronimo devem estar operando dentro de restaurantes Madero. O formato híbrido já elevou o faturamento em 19,5% no terceiro trimestre, e 60 unidades devem ser convertidas até dezembro.
Hoje, o delivery responde por 21,7% da receita líquida do Madero, enquanto os canais digitais representam 56,6% do total. A nova linha de empanadas deve reforçar essa participação sem prejudicar as vendas nos salões.
Apesar da recuperação financeira, o IPO ainda não é prioridade. Durski e o novo chairman Ariel Szwarc (ex-CFO) afirmam que a abertura de capital só deve acontecer após 2026, quando o mercado estiver mais favorável. O Madero mantém toda a documentação pronta desde 2019 e estima um valor de mercado de R$ 7 bilhões.
Enquanto isso, a rede segue fortalecendo sua governança com a chegada de Bruno Gentil como CFO — vindo do setor de telecomunicações, com passagens por TIM, Telefônica e GVT.
O Madero dá, assim, um passo estratégico rumo a um modelo mais eficiente, digital e ajustado às novas dinâmicas do foodservice. O que antes era rejeição, agora é uma aposta para o futuro da marca.







