Os recentes ataques criminosos em resposta à megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha deixaram reflexos imediatos na economia do Rio de Janeiro — especialmente no setor de bares e restaurantes. De acordo com o presidente da Associação de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (Abrasel-RJ), Maurício Costa, o impacto foi “gigante”, e a queda no faturamento pode chegar a 50% nas regiões mais afetadas.
“Tivemos repercussão por quase toda a cidade. Houve impacto na Grande Tijuca, no Centro e até em bairros da Zona Sul. Em Ipanema, Leblon e Jardim Botânico, o movimento caiu e muitos estabelecimentos encerraram o expediente mais cedo por determinação direta de criminosos”, relatou Costa.
Além das ordens para fechamento, a falta de transporte público e a dificuldade de locomoção dos trabalhadores também contribuíram para a paralisação parcial do setor. Muitos funcionários, que moram em comunidades atingidas, não conseguiram sair de casa, o que impediu o funcionamento normal de diversos estabelecimentos.
Na quarta-feira (30), bares e restaurantes de diferentes regiões da cidade permaneceram fechados por motivo de segurança. O Centro, em especial, ficou muito mais deserto que o habitual, e o clima de incerteza ainda domina o setor.
Segundo Costa, a retomada deve ser lenta, e o movimento pode continuar reduzido até o fim de semana.
Outro ponto de preocupação é o impacto no turismo. O presidente da Abrasel-RJ lembra que a ampla cobertura do caso na imprensa nacional e internacional pode afetar o fluxo de visitantes — justamente após um semestre de resultados recordes.
Entre janeiro e junho de 2025, o Rio recebeu mais de 1,1 milhão de turistas estrangeiros, um aumento de 51,8% em relação ao mesmo período de 2024. No total, foram 6,8 milhões de visitantes (domésticos e internacionais). Agora, o temor é que esse avanço seja comprometido às vésperas das festas de fim de ano, período tradicionalmente forte para o foodservice carioca.
Fonte: O Globo







