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Do cemitério ao shopping: como a Bomdiqueijo virou franquia milionária

Uma história que começou na cantina de um cemitério e hoje se transforma em franquia em expansão pelo Sudeste. A trajetória da Bomdiqueijo, criada pela empreendedora Andréia Freitas, mostra como um produto simples — e muito brasileiro — pode ganhar escala quando aliado a conveniência, localização estratégica e repertório emocional.

Tudo começou quando Andréia assumiu, em 2016, a cantina que seu pai mantinha há mais de 20 anos no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. A ideia inicial era apenas reorganizar o negócio da família, que havia perdido força com o adoecimento do pai. Mas o pão de queijo recheado criado por ela virou o ponto de virada: clientes começaram a aparecer não para um velório, mas para experimentar o salgado.

A virada do negócio

Em 2018, Andréia transformou a cantina em uma pequena cafeteria e investiu R$ 50 mil para ampliar o cardápio. Foi também quando percebeu que havia demanda reprimida — a ponto de frequentadores relatarem que passavam no cemitério só para comer o pão de queijo. A visão empreendedora falou mais alto: por que não levar essa ideia para locais de grande circulação?

Em 2021, ela abriu o primeiro quiosque da Bomdiqueijo dentro da estação de metrô Carioca, no centro do Rio. O investimento saiu da venda do carro, do FGTS e até de utensílios retirados da própria casa. Deu certo. Hoje, a rede soma oito unidades no Rio e se prepara para a primeira operação em São Paulo.

Cardápio com 16 sabores e operação enxuta

A Bomdiqueijo trabalha com 16 sabores de pão de queijo recheado — seis deles doces. Entre os mais vendidos estão Catupiry, frango com Catupiry, bacon com cheddar e alho-poró. Os preços variam de R$ 9,99 a R$ 12,99 conforme o ponto comercial.

A operação é pensada para ser simples: massa fornecida por produtor homologado em Minas Gerais, recheios preparados em cozinha industrial no Rio e montagem final na unidade. O operador assa, recheia e serve. Isso reduz necessidade de equipe, equipamentos e espaço. As lojas exigem a partir de 8 m², algo raro em shoppings e estações.

Em outubro, a marca começou a testar versões “fitness” — como ricota, peito de peru e requeijão light — para atender ao público de uma academia que abriu no mesmo shopping onde já havia uma loja da rede.

Expansão via franquias e chegada a São Paulo

A rede entrou oficialmente no franchising em 2024 e hoje conta com três lojas próprias e cinco franquias. No início de dezembro, inaugura sua primeira unidade fora do Rio: um quiosque no Shopping Plaza Polo Brás, no centro de São Paulo.

O modelo de franquias oferece três formatos — quiosque, loja de rua ou loja de shopping — com investimento entre R$ 169 mil e R$ 249 mil. O faturamento médio mensal vai de R$ 70 mil a R$ 80 mil, com margem de lucro em torno de 23%.

Em 2024, a Bomdiqueijo faturou R$ 4,9 milhões e projeta chegar a 30 unidades até 2026, mirando um faturamento de R$ 25 milhões. A estratégia de expansão é concentrar esforços no Sudeste, crescendo em espiral para facilitar logística e suporte aos franqueados.

O que explica o sucesso — e os desafios — do modelo

Para especialistas, como o consultor do Sebrae-SP Adriano Campos, a narrativa de superação de Andréia agrega valor à marca. Mas o principal diferencial está no uso de um produto icônico, fácil de consumir e muito adaptável a diversos momentos do dia — algo que dialoga com tendências amplamente discutidas no Portal Foodbiz.

Campos alerta, porém, para dois pontos de atenção:

Produto copiável: pão de queijo é simples de reproduzir, o que exige diferenciação contínua.
Escalabilidade e gestão: apesar de a operação ser leve, o crescimento traz desafios de padronização, logística refrigerada e controle de processos.

Ele reforça ainda a importância de estudar novos mercados — entender hábitos, preferências e concorrência local — especialmente quando a marca avança para fora de seu território original.

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Fonte: Economia UOL

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