FoodBiz

Mosa Meat capta €15 milhões e se aproxima da comercialização da carne cultivada

A Mosa Meat encerra 2025 com um avanço importante em sua jornada. A startup holandesa de carne cultivada anunciou a captação de €15 milhões (cerca de US$ 17,6 milhões) em uma nova rodada de investimentos e reforçou que está cada vez mais próxima de colocar seu hambúrguer cultivado no mercado. O movimento vem acompanhado de progressos relevantes na redução dos custos de produção, um dos principais gargalos do setor.

A rodada contou com investidores já conhecidos da empresa, como a Invest-NL — investidora de impacto apoiada por uma garantia do InvestEU —, a agência regional LIOF, o grupo avícola PHW Group e Jitse Groen, fundador e CEO da Just Eat Takeaway.com.

Segundo Tim van de Rijdt, chief business officer da Mosa Meat, os recursos garantem fôlego financeiro até 2028 e serão direcionados principalmente às etapas finais de aprovação regulatória e à preparação para a entrada no mercado. “Captamos exatamente o necessário para alcançar o próximo ponto de virada do negócio, que é gerar as primeiras receitas com a comercialização”, afirmou em entrevista ao Green Queen, repercutida pelo Portal Foodbiz.

Com esse aporte, o total levantado pela startup ultrapassa US$ 156 milhões, somando a Série A de €40 milhões realizada em 2024 e a rodada de crowdfunding de €3,7 milhões concluída no início de 2025.

Para Victor Meijer, principal de investimentos da Invest-NL, a carne cultivada tem papel estratégico na transição proteica global. “Reduzir o impacto da pecuária tradicional passa por alternativas como essa. É um setor desafiador, que exige visão de longo prazo, e a Mosa Meat vem avançando de forma consistente rumo à comercialização”, destacou.

De um hambúrguer de US$ 330 mil a um produto viável para restaurantes

A Mosa Meat é um dos nomes mais antigos da carne cultivada. Em 2013, seu cofundador e diretor científico, o professor Mark Post, apresentou o primeiro hambúrguer cultivado do mundo, em Londres. Na época, duas unidades custaram cerca de US$ 330 mil para serem produzidas.

Desde então, a empresa passou por uma transformação profunda. Nos últimos anos, reduziu em 80 vezes o custo do meio de crescimento celular e, posteriormente, em 66 vezes o custo do meio usado para produzir gordura. No acumulado, a queda chega a 99,999% em relação ao experimento inicial.

“Hoje, graças a avanços científicos e ganhos de escala, já conseguimos produzir hambúrgueres a um custo compatível com cardápios de restaurantes”, afirma Maarten Bosch, CEO da Mosa Meat. De acordo com van de Rijdt, o custo atual por unidade é cerca de 100 mil vezes menor do que no início, com expectativa de novas reduções após a aprovação regulatória.

Parte desse avanço vem da estratégia híbrida adotada pela startup. Em vez de cultivar toda a carne, a empresa foca na produção de gordura bovina cultivada — essencial para sabor e textura — que é combinada a ingredientes vegetais. O resultado são hambúrgueres híbridos, pensados para equilibrar viabilidade econômica e experiência sensorial.

Reino Unido no radar para o primeiro lançamento

A Mosa Meat já protocolou pedidos de aprovação regulatória em Singapura, na União Europeia, na Suíça e no Reino Unido. No mercado britânico, a empresa participa do “sandbox” governamental de carne cultivada, iniciativa que reúne startups, pesquisadores e autoridades para acelerar a criação de regras para o setor.

Recentemente, a Agência de Padrões Alimentares do Reino Unido divulgou suas primeiras diretrizes para esse tipo de produto. “Esperamos que o Reino Unido seja o primeiro país a conceder aprovação”, afirma van de Rijdt. A estratégia inicial de lançamento deve focar o foodservice, especialmente restaurantes, que conseguem absorver melhor os volumes e custos da fase inicial.

O avanço da Mosa Meat acontece em um momento delicado para o setor. Nos primeiros nove meses de 2025, startups de carne cultivada captaram apenas US$ 36 milhões, bem abaixo dos US$ 139 milhões registrados em 2024. O cenário levou ao fechamento de várias empresas ao longo do ano, como Meatable, Upstream Foods e Believer Meats.

“Os mercados de capital para foodtech e proteínas alternativas não têm sido favoráveis, então captar recursos não é simples”, reconhece van de Rijdt. Ainda assim, ele acredita que os avanços recentes reforçam o potencial de longo prazo da carne cultivada — visão que segue acompanhada de perto pelo Portal Foodbiz e pelo IFB.

.
Fonte: Vegan Business

Compartilhar