O foodservice brasileiro deve manter um ritmo de crescimento de cerca de 7% ao ano até 2028, segundo estudo da Redirection International. Apesar da expansão, o setor ainda convive com um desafio estrutural: processos de compras pouco digitalizados, baixa previsibilidade e uso limitado de dados na tomada de decisão.
É nesse cenário que surge a Foozi, uma startup brasileira que aposta na inteligência de compras para transformar a operação de restaurantes, hotéis, padarias e supermercados.
Fundada em 2023, no Espírito Santo, a empresa nasceu a partir da experiência prática de seus sócios, que identificaram ineficiências relevantes na gestão de suprimentos — um dos pontos mais sensíveis para a rentabilidade do setor. A proposta é centralizar e otimizar toda a cadeia de compras, conectando estabelecimentos a uma rede de fornecedores e melhorando o controle do CMV (Custo da Mercadoria Vendida).
Na prática, o modelo simplifica a rotina do operador: o cliente informa sua lista de insumos e a plataforma assume etapas como cotação, negociação e gestão de fornecedores, reduzindo o esforço operacional e ampliando a eficiência.
Desde sua criação, a Foozi já movimentou mais de R$ 200 milhões em transações e estruturou uma rede com milhares de fornecedores parceiros . A expectativa agora é escalar o modelo: a startup projeta atender mais de 3 mil clientes e gerar até R$ 1 bilhão em economia para o setor nos próximos quatro anos.
O avanço acompanha um movimento mais amplo de digitalização no foodservice. Se o delivery já passou por uma transformação tecnológica relevante na última década, a gestão de compras aparece como a próxima fronteira de ganho de eficiência — com impacto direto em custos, logística e margem.
Para sustentar essa expansão, a empresa vem reforçando sua estrutura de capital. Após captar recursos com a Investortech Ventures, a Foozi realizou, no início de 2026, uma nova rodada com a entrada do Funses I, fundo soberano do Espírito Santo, além de um follow-on do investidor inicial. O objetivo é acelerar a presença nacional e preparar a companhia para novas rodadas.
Com os investimentos, a startup evoluiu de uma solução focada em cotação e terceirização para uma plataforma mais robusta de inteligência de compras, ampliando ticket médio, previsibilidade de receita e retenção de clientes.
O movimento indica uma mudança relevante no setor: mais do que negociar melhor, operadores começam a enxergar a gestão de compras como um ativo estratégico — capaz de gerar eficiência operacional e impacto financeiro mensurável no negócio.







