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Espumante sem álcool amplia público e impulsiona a categoria

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O espumante sem álcool deixou de ocupar um espaço restrito nas gôndolas para se tornar um dos vetores de crescimento da categoria no Brasil. Mesmo representando cerca de 5% do volume total, os rótulos 0% álcool ajudam a impulsionar o desempenho dos espumantes, que devem crescer 6,2% em 2025 e alcançar 29 milhões de litros vendidos no varejo, segundo dados da Euromonitor International.

O avanço marca o quinto ano consecutivo de alta, após a retração registrada em 2020, durante a pandemia. Para a indústria, a estratégia é clara: ampliar as ocasiões de consumo e incluir públicos que historicamente ficavam de fora das celebrações com bebidas alcoólicas, movimento acompanhado de perto pelo Portal Foodbiz.

Espumante sem álcool amplia perfis de consumo

Os lançamentos de espumantes sem álcool vêm crescendo para atender consumidores que evitam bebidas alcoólicas por motivos de saúde, religião ou estilo de vida. Entram nesse grupo pessoas em tratamento medicamentoso, gestantes, motoristas e parte do público evangélico.

Há também uma mudança geracional em curso. Jovens têm reduzido o consumo de álcool, o que pressiona a indústria a inovar. “Estamos vivendo uma mudança cultural profunda”, afirma Fabiano Ruiz, vice-presidente da Henkell Freixenet para a América Latina.

Dados da IWSR indicam que, entre 2024 e 2028, as vendas de bebidas sem álcool devem crescer 10% no Brasil, ritmo inferior apenas ao dos Estados Unidos, onde a projeção é de 18%.

Mais lançamentos e impacto direto no faturamento

Somente em 2025, 24 novos rótulos de espumante sem álcool chegaram ao mercado brasileiro, de acordo com levantamento da Iscam Brasil.

Na operação brasileira da Henkell Freixenet, os produtos 0% álcool já respondem por 9% do faturamento. A expectativa é encerrar o ano com a venda de 260 mil garrafas, frente a 200 mil no ano anterior, mantendo cerca de 33% de participação no segmento.

A Salton, líder entre os espumantes nacionais, também ampliou o portfólio. Para a diretora-executiva Luciana Salton, a categoria atende a demandas que vão além da geração Z. “É um produto que inclui esportistas, grávidas, pacientes em uso contínuo de medicamentos e consumidores cada vez mais conscientes”, afirma.

A cooperativa Garibaldi segue a mesma leitura. Segundo o diretor-executivo Alexandre Angonezi, o segmento cresce até 30% ao ano e já representa cerca de 7% das vendas da vinícola.

Reduzir a sazonalidade vira prioridade

Apesar do avanço, o consumo de espumantes ainda é concentrado no último trimestre do ano, responsável por cerca de 60% das vendas anuais. Para diluir essa sazonalidade, marcas têm investido em novas ocasiões de consumo, associando espumantes ao verão, à gastronomia e a eventos informais.

A Moët Hennessy, responsável por marcas como Chandon e Veuve Clicquot, aposta em ativações fora do calendário tradicional, com ações em praias, restaurantes e camarotes de Carnaval. Embora ainda não tenha rótulos sem álcool, a companhia avalia o segmento e alternativas de menor teor alcoólico.

Cenário segue favorável para o mercado

Para Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel, o mercado de espumantes vive um momento positivo. O consumo total no Brasil gira em torno de 40 milhões de litros, com predominância de rótulos nacionais, fator que contribui para preços mais acessíveis.

Solmucci também destaca o papel do foodservice para sustentar o crescimento. “A venda por taça e o correto manuseio após a abertura da garrafa ampliam o consumo e reduzem barreiras”, afirma.

Com novos públicos, mais lançamentos e estratégias que vão além das festas de fim de ano, o espumante sem álcool se consolida como uma alavanca relevante de crescimento e inclusão dentro da categoria.

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Fonte: Folha

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