A França anunciou que estuda barrar a entrada de alimentos importados que contenham pesticidas proibidos na União Europeia — medida que afeta diretamente produtos vindos da América do Sul e reacende tensões em torno do acordo entre UE e Mercosul.
Segundo o primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, um decreto deve ser publicado nos próximos dias suspendendo a importação de alimentos que apresentem resíduos de substâncias como mancozeb, glufosinato, tiofanato-metil e carbendazim, já banidas no bloco europeu. Entre os produtos citados estão abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs.
Em publicação nas redes sociais, Lecornu afirmou que esses alimentos “não poderão mais entrar no território nacional” caso não estejam em conformidade com os padrões sanitários da União Europeia. A proposta prevê ainda o reforço das inspeções, que ficariam a cargo de uma unidade especializada.
A iniciativa surge em um momento de forte pressão interna. Agricultores franceses têm protestado contra a possível assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, alegando risco de concorrência desleal e questionando o cumprimento de exigências ambientais e de saúde por parte dos países exportadores. Após a inclusão de cláusulas de salvaguarda no texto, autoridades europeias trabalham com a possibilidade de ratificação ainda em janeiro.
Para o governo francês, o decreto seria um “primeiro passo” para proteger consumidores e cadeias produtivas locais, ao mesmo tempo em que responde às demandas do setor agrícola. Os protestos no campo, que também incluem bloqueios de estradas e críticas a medidas sanitárias envolvendo o abate de animais, ampliam o cenário de instabilidade política no país.
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Fonte: Bloomberg Línea







