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Refrigerantes zero açúcar ganham espaço entre a Geração Z nos EUA

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O refrigerante zero açúcar deixou de ser coadjuvante e passou ao centro das estratégias das grandes marcas no mercado americano. Entre consumidores mais jovens, especialmente da Geração Z, essas versões vêm conquistando espaço justamente em um momento em que cresce a preocupação com saúde, bem-estar e redução do consumo de açúcar.

Segundo reportagem da Bloomberg Línea, a PepsiCo apostou pesado nessa virada. A primeira edição do Pepsi Challenge em 50 anos, por exemplo, não colocou frente a frente as versões tradicionais das marcas, mas sim a Pepsi Zero Sugar contra a Coca-Cola Zero Sugar. No Super Bowl deste ano, o destaque da campanha da Pepsi também será a versão sem açúcar, reforçando a mudança de foco da empresa.

De acordo com Ram Krishnan, CEO da PepsiCo North America, a companhia concentrou a maior parte do orçamento de marketing na Pepsi Zero Sugar nos últimos dois anos. A lógica por trás dessa decisão vai além da redução de calorias: o termo “dieta” perdeu apelo entre os jovens consumidores, enquanto o conceito de “zero açúcar” se conecta melhor com um estilo de vida mais equilibrado, sem a carga negativa associada à cultura das dietas.

Essa transformação não é exclusiva da Pepsi. Nos corredores de refrigerantes dos supermercados americanos, as versões diet vêm perdendo espaço, enquanto as opções zero sugar ganham destaque. A Keurig Dr Pepper, que não tinha nenhuma bebida zero açúcar em 2020, hoje conta com mais de 40 produtos nessa categoria.

Dados da Circana, citados pela Bloomberg Línea, mostram que os refrigerantes zero açúcar foram responsáveis por 52% do crescimento das vendas da categoria nos EUA no último ano. Enquanto isso, as vendas das versões tradicionais e diet recuaram, com exceções pontuais.

Outro ponto-chave está no sabor. Quando lançadas, as versões zero açúcar tinham como principal objetivo se aproximar mais do gosto do refrigerante original, algo que foi aprimorado ao longo do tempo com novas combinações de adoçantes. Para muitos consumidores jovens, isso faz diferença. A percepção é de que essas bebidas “parecem mais reais” do que as versões diet.

A estratégia de diversificação também tem sido essencial para atrair a Geração Z. Na Keurig Dr Pepper, refrigerantes zero açúcar com sabores — como Dr Pepper Blackberry ou Strawberries and Cream — performam melhor do que as colas tradicionais. A empresa chegou a substituir versões diet por opções zero açúcar em marcas como Sunkist, A&W e Canada Dry, apostando em inovação sem perder consumidores.

Pesquisas internas da companhia indicam que 72% dos consumidores da Geração Z experimentam uma nova bebida todos os meses, um comportamento bem diferente do observado entre gerações mais velhas. Esse apetite por novidades abre espaço para edições limitadas, sabores inspirados em tendências das redes sociais e lançamentos que combinam indulgência e menor teor de açúcar.

Mesmo com a queda de 27% no volume de vendas de refrigerantes nos EUA nas últimas duas décadas, o avanço das versões zero açúcar sinaliza um novo capítulo para a categoria. Para a indústria, o desafio não é apenas reduzir açúcar, mas reposicionar o produto de forma relevante para um consumidor mais jovem, informado e seletivo.

Esse movimento, analisado pela Bloomberg Línea, ajuda a entender como grandes marcas estão se adaptando às novas demandas de consumo — tema que também acompanha as análises e tendências publicadas no Portal Foodbiz, do IFB, sobre o futuro do foodservice e das bebidas no Brasil e no mundo.

Conteúdo adaptado a partir de reportagem da Bloomberg Línea.

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