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Projeto de lei amplia teor de cacau no chocolate

Com a chegada da Páscoa, o consumo de chocolate cresce — e junto com ele, também aumenta a atenção sobre a qualidade dos produtos disponíveis no mercado. Em meio a opções com baixo teor de cacau e altos níveis de açúcar e gordura, uma nova medida pode mudar a forma como os consumidores escolhem o que vai para o carrinho.

No dia 17 de março, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que estabelece critérios mais rigorosos para que um produto seja classificado como chocolate no Brasil. A proposta define percentuais mínimos de cacau e exige mais clareza nas informações das embalagens, trazendo um novo cenário para a indústria e para o consumidor.

A mudança não é apenas técnica — ela pode influenciar diretamente as decisões de compra e até a percepção de valor do produto.

Mais cacau, mais qualidade?

Segundo a nutricionista Polyana Baptista Gomes, do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, o teor de cacau é um dos principais indicadores de qualidade do chocolate. Isso porque é o cacau que concentra compostos bioativos, como os flavonoides, conhecidos por sua ação antioxidante.

Na prática, quanto maior a porcentagem de cacau, menor tende a ser a adição de açúcares e gorduras. Isso impacta diretamente o perfil nutricional do produto — e também a forma como ele é percebido pelo consumidor.

A nova regulamentação reforça essa lógica. Para chocolates intensos, por exemplo, passa a ser exigido um mínimo de 35% de cacau, acima dos 25% atualmente previstos pela Anvisa. Além disso, o projeto define parâmetros para outras categorias:

  • Chocolate em pó: mínimo de 32% de cacau
  • Chocolate ao leite: pelo menos 25% de cacau e 14% de leite
  • Chocolate branco: 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos lácteos

Essas mudanças tendem a reduzir a presença de produtos que hoje ocupam espaço nas prateleiras com pouca ou nenhuma presença relevante de cacau.

O impacto vai além da prateleira

A discussão sobre a composição do chocolate não é apenas regulatória — ela também tem implicações importantes para a saúde pública. Dietas com excesso de açúcar e gordura estão associadas ao aumento de doenças crônicas, como obesidade e problemas metabólicos.

Quando o teor de cacau é baixo, o chocolate perde seus potenciais benefícios e passa a funcionar, basicamente, como uma fonte desses ingredientes.

Mesmo nos produtos com maior qualidade, a recomendação continua sendo equilíbrio. A orientação é priorizar chocolates com 70% de cacau ou mais, mas sem exageros.

E as crianças?

Durante a Páscoa, o consumo infantil de chocolate costuma disparar — e é justamente nesse ponto que o alerta se intensifica.

A endocrinologista pediátrica Nara Evangelista, do Hospital Samaritano Higienópolis, destaca que o excesso de açúcar na infância pode ter efeitos que vão além do ganho de peso, influenciando hábitos alimentares no longo prazo.

A recomendação não é proibir o consumo, mas estabelecer limites e, sempre que possível, optar por versões com maior teor de cacau. Esse movimento também contribui para educar o paladar desde cedo e reduzir a preferência por produtos ultraprocessados.

Mais transparência, mais escolha

Um dos pontos centrais da nova lei é a obrigatoriedade de informar com mais clareza o teor de cacau nas embalagens. Isso pode parecer um detalhe, mas muda completamente a dinâmica de decisão no ponto de venda.

Com informações mais acessíveis, o consumidor ganha autonomia para comparar produtos e fazer escolhas mais conscientes — o que também pressiona a indústria a elevar o padrão de qualidade.

Para o foodservice e o varejo, esse cenário abre espaço para reposicionar produtos, explorar categorias premium e acompanhar uma demanda crescente por alimentos com melhor composição.

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