Quando bate aquela fome e lembramos que não tem nada pronto não tem outro jeito: é pedir o nosso prato favorito pelo delivery no improviso e matar o que estava nos matando. Mas do outro lado desta linha, a lógica não é a mesma e nem pode. Afinal, foi graças ao cardápio rigorosamente planejado, com ingredientes comprados e pré-organizados e a habilidade do cozinheiro que permitiram a entrega de uma refeição bem executada, em tempo de não deixar ninguém nervoso esperando.
Porém, mais do que conseguir fazer uma boa entrega, o crescimento do food service no Brasil evoluiu para a união da gastronomia com a tecnologia nas “cozinhas inteligentes”.
E aquilo que antes era feito na ponta do lápis, no “olhômetro”, avançou para o uso estratégico de dados nas dark kitchens, que permite mapear variáveis como comportamento de consumo, horários de pico, analisar ticket médio, testar cardápios e ajustar preços com precisão, tornando a operação mais eficiente e rentável.
Além de ajudar a impulsionar resultados financeiros, a inteligência de dados também pode reduzir desperdícios, ao prever a demanda e otimizar insumos. Um projeto da Universidade Federal Fluminense (UFF) de 2022, que mensurou o desperdício de alimentos em uma rede de restaurantes industriais na região Sul do Rio de Janeiro revelou um desperdício diário de 1.297 quilos (kg), dos quais 938 kg eram sobras, alimentos preparados e não servidos, e 359 kg desperdício de pratos, o equivalente a aproximadamente 1,6 mil refeições no padrão de cada restaurante, representando um prejuízo superior a US$ 3,6 mil por dia para a empresa.
Inteligência de dados orienta potencial de expansão de restaurantes
As chamadas cozinhas inteligentes passam a funcionar como verdadeiros centros de gestão do negócio. Plataformas digitais permitem acompanhar indicadores operacionais em tempo real, identificar quais pratos têm melhor desempenho, entender padrões de consumo por região e até prever picos de demanda ao longo da semana.
Especialista em infraestrutura para operações de delivery integradas à tecnologia, a Kitchen Central tem apostado justamente nesse modelo ao oferecer espaços equipados e conectados a sistemas de gestão de desempenho, que ajudam marcas a analisar dados de vendas, eficiência operacional e potencial de expansão.
De acordo com estudo conduzido pela TNS Research, divulgado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), restaurantes que investem em tecnologia crescem cerca de 60% mais do que os que ainda resistem à digitalização. No mesmo levantamento, 38% dos estabelecimentos já utilizam algum nível de automação, 21% combinam bots com atendimento humano e 17% operam com inteligência artificial em processos como gestão, atendimento e controle operacional.
Em um setor historicamente guiado pela intuição, a análise estruturada de dados começa a redefinir a forma como restaurantes crescem e se posicionam no mercado. Mais do que cozinhar bem, a competitividade no food service passa também pela capacidade de transformar informação em estratégia, uma mudança que conecta gastronomia, inovação e empreendedorismo em um mesmo prato.







