Dados do IPCA de março, divulgados pelo IBGE, indicam uma inversão relevante no comportamento dos preços: comer fora de casa ficou relativamente mais barato do que cozinhar no domicílio, mesmo em um cenário de aceleração inflacionária.
A inflação geral do mês alcançou 0,88%, acima dos 0,70% registrados em fevereiro, levando o acumulado de 12 meses a 4,14%. O principal ponto de atenção foi o grupo Alimentação e Bebidas, que acelerou de 0,26% para 1,56% no período.
Dentro do grupo, a pressão foi mais intensa sobre a alimentação no domicílio, cuja alta saltou de 0,23% para 1,94%, impulsionada sobretudo por itens básicos da cesta alimentar. Entre os principais aumentos estão tomate, cebola, batata, leite e carnes, enquanto produtos como maçã e café registraram queda de preços.
Restaurantes absorvem custos para manter demanda
No food service, o repasse ao consumidor tem ocorrido de forma mais controlada. A variação da alimentação fora do domicílio passou de 0,35% para 0,61%, percentual inferior ao observado nos supermercados, indicando que bares e restaurantes estão absorvendo parte do aumento dos custos.
Segundo a Abrasel Baixada Santista, muitos estabelecimentos optaram por segurar reajustes de preços como estratégia para preservar fluxo de clientes, especialmente em um contexto de consumo sensível à renda e à inflação.
Estratégia defensiva em cenário desafiador
Para equilibrar margens, operadores do setor têm recorrido à renegociação com fornecedores, ajustes no mix de produtos e ações promocionais pontuais. A estratégia reflete um ambiente considerado desafiador, no qual o consumidor compara cada vez mais o custo entre comer fora e preparar refeições em casa.
O movimento reforça um alerta para o setor de alimentação fora do lar: embora a demanda se mantenha, a sustentabilidade do negócio passa por eficiência operacional, gestão de custos e inteligência de preços, em um cenário de pressão contínua sobre os insumos básicos.
G1







