Alta dos juros e pressão nos preços de itens básicos seguem apertando o orçamento das famílias
Um novo levantamento do Datafolha mostra que o endividamento virou parte da rotina da maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa, 67% da população afirma ter algum tipo de dívida, enquanto 21% dizem estar com pagamentos em atraso.
O estudo, realizado com 2.002 pessoas em 117 municípios, indica que a combinação entre crédito facilitado — principalmente via celular —, juros elevados e inflação de itens essenciais tem pressionado o orçamento doméstico.
Entre as principais fontes de dívida, o cartão de crédito aparece como destaque, especialmente na modalidade rotativa, que ainda registra taxas médias de 14,9% ao mês. Mesmo com limitações impostas pelo Banco Central, o custo segue alto e contribui para o ciclo de endividamento.
Onde o atraso pesa mais
Os dados mostram diferenças importantes entre as modalidades de dívida. O atraso é mais frequente entre quem recorre a amigos e familiares (41%), seguido pelo cartão de crédito parcelado (29%) e empréstimos bancários (26%).
Além disso, o crédito deixou de ser exceção: 51% dos entrevistados dizem que é difícil fechar o mês sem usar o cartão.
O impacto vai além das instituições financeiras. Cerca de 28% dos brasileiros também estão atrasados em contas básicas, como água, luz, telefone e impostos.
Mudanças no consumo já aparecem
Para lidar com o aperto, os consumidores vêm ajustando hábitos — movimento que já afeta diretamente o foodservice:
- 60% reduziram refeições fora de casa
- 52% passaram a comprar menos alimentos
- 64% cortaram gastos com lazer
Esse comportamento ajuda a explicar oscilações no fluxo de bares e restaurantes, tema recorrente nas análises do Portal Foodbiz, especialmente em momentos de pressão sobre renda disponível.
Outro dado chama atenção: 15% dos usuários de cartão admitem usar o limite de um cartão para pagar outro, prática que indica dificuldade crescente de organização financeira.
Sem reserva, risco aumenta
A vulnerabilidade é ampliada pela falta de poupança: 66% dos brasileiros dizem não ter nenhuma reserva de emergência. Na prática, isso significa que imprevistos — como perda de renda ou problemas de saúde — podem rapidamente virar inadimplência.
O Datafolha consolidou essas informações em um índice próprio e concluiu que 45% da população vive sob forte aperto financeiro, com impacto direto no consumo e na qualidade de vida.
Tema ganha peso econômico e político
O cenário também tem implicações mais amplas. Com a taxa Selic em 14,75% ao ano e percepção negativa sobre a economia — metade dos brasileiros avalia a situação como “ruim ou muito ruim” —, o endividamento virou pauta central.
O governo federal avalia novas medidas de renegociação, incluindo iniciativas que também considerem dívidas relacionadas a apostas online. A proposta ainda está em análise e busca evitar que consumidores voltem rapidamente ao ciclo de endividamento.







