FoodBiz

Ozempic, Mounjaro e o impacto no consumo

O uso de medicamentos como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) está ganhando escala no mundo todo e já começa a gerar efeitos que vão além da saúde — inclusive no comportamento de consumo alimentar. Para quem acompanha o mercado pelo Portal Foodbiz, vale entender o que está por trás desse movimento e por que ele merece atenção.

Esses medicamentos, indicados para o tratamento da obesidade, atuam imitando hormônios como GLP-1 e GIP, responsáveis pela sensação de saciedade. Na prática, isso reduz o apetite e pode levar a perdas de peso relevantes — estudos apontam quedas entre 14% e 20% do peso corporal ao longo de cerca de 72 semanas.

Mas o efeito vai além da balança.

Menor apetite, novas escolhas

Com a redução da fome e do chamado “ruído alimentar” (pensamentos frequentes sobre comida), muitos consumidores passam a comer menos — e de forma mais seletiva. Isso pode impactar diretamente:

  • o tamanho das porções consumidas fora de casa
  • a frequência de visitas a restaurantes
  • a busca por alimentos com maior densidade nutricional

Para o foodservice, isso levanta uma questão importante: como adaptar o cardápio para um consumidor que não necessariamente quer comer mais, mas melhor?

Uso contínuo e efeito rebote

Apesar dos resultados, esses medicamentos não funcionam como solução pontual. A interrupção do uso pode levar à recuperação de até 60% do peso perdido em um ano, o que reforça o caráter contínuo do tratamento.

Isso acontece porque o corpo reage à perda de peso aumentando o apetite e reduzindo o metabolismo — o chamado efeito rebote.

Na prática, cria-se um ciclo que pode influenciar padrões de consumo ao longo do tempo, alternando momentos de restrição e retomada alimentar.

Mudança de hábitos segue central

Especialistas são unânimes: os medicamentos não substituem mudanças no estilo de vida. Alimentação equilibrada e atividade física continuam sendo fundamentais.

Sem esse suporte, há risco de:

  • deficiências nutricionais
  • perda de massa muscular
  • impactos metabólicos negativos

Para operadores do setor, isso abre espaço para estratégias que combinem conveniência e qualidade nutricional — algo cada vez mais valorizado.

Efeitos colaterais também entram na conta

Entre os efeitos mais comuns estão:

  • náuseas e desconfortos gastrointestinais
  • risco de pancreatite e cálculos biliares
  • perda de massa muscular
  • possíveis impactos ósseos

Esses fatores também podem influenciar escolhas alimentares, favorecendo refeições mais leves, porções menores e alimentos de fácil digestão.

Um movimento que vai além da saúde

A Organização Mundial da Saúde reforça que medicamentos isolados não resolvem o desafio da obesidade, que é uma condição crônica e multifatorial.

Para o foodservice, o avanço dessas terapias sinaliza uma transformação silenciosa no comportamento do consumidor. Menos volume, mais critério — e uma relação com a comida que tende a ser mais funcional.

Fonte: Estadão

Compartilhar

Antes de sair: quer receber os principais insights do foodservice?

Leva 10 segundos. E você passa a acompanhar o que os líderes do setor estão vendo antes.