O mercado de vinho nos Estados Unidos atingiu um novo marco em 2025: mais de US$ 115 bilhões em receita, segundo levantamento da BW166. Apesar do crescimento de 2,5% em relação ao ano anterior, o dado vem acompanhado de um sinal importante — os americanos estão comprando menos vinho em volume.
O contraste revela uma mudança clara no comportamento do consumidor. De um lado, a premiumização continua sustentando o faturamento, com maior participação de rótulos mais caros. De outro, categorias de entrada perdem espaço, puxando a queda de 2,4% no volume total vendido.
Esse movimento não acontece por acaso. Há uma combinação de fatores em jogo: inflação, mudança demográfica e novas preferências de consumo. A geração Baby Boomer reduz gradualmente a ingestão de álcool, enquanto os mais jovens diversificam suas escolhas com opções como hard seltzers, bebidas com THC e alternativas de menor teor alcoólico.
Outro vetor relevante é o avanço dos vinhos de marca própria (private label), cada vez mais presentes em supermercados, restaurantes e grandes varejistas. Esses produtos tendem a oferecer margens mais atrativas para o trade, o que ajuda a explicar por que o gasto do consumidor cresce sem necessariamente se refletir de forma proporcional para produtores e importadores.
Além disso, bares e restaurantes têm ampliado suas margens sobre bebidas alcoólicas, elevando o ticket médio pago pelo consumidor. Na prática, isso contribui para inflar o valor total do mercado, mesmo com menos garrafas sendo consumidas.
O cenário reforça um ponto de atenção para a indústria: crescimento em receita não significa, necessariamente, expansão saudável do mercado. Com maior concorrência dentro e fora da categoria, o vinho disputa espaço com outras bebidas e precisa se reposicionar, especialmente para consumidores mais jovens e sensíveis a preço.
Para os próximos anos, o desafio é claro: equilibrar a estratégia de premiumização com a necessidade de tornar os vinhos mais acessíveis e relevantes no dia a dia. Caso contrário, o crescimento pode continuar vindo mais de preço do que de consumo — um limite que, em algum momento, tende a se esgotar.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com







