O uso de inteligência artificial em recrutamento ganhou novos contornos nos Estados Unidos após o Olive Garden, rede de restaurantes com operações em São Paulo, adotar testes de personalidade com avatares e cenários interativos para avaliar candidatos a vagas operacionais.
A dinâmica, aplicada em processos seletivos para funções como garçom e lavador de pratos, viralizou nas redes sociais por conta do formato considerado incomum por muitos usuários. O sistema utiliza imagens ilustradas com um personagem azul chamado “Ash”, que aparece em diferentes situações do cotidiano — e até em cenários considerados aleatórios pelos candidatos.
Durante a avaliação, os participantes precisam responder se se identificam ou não com as cenas apresentadas, escolhendo entre as opções “Me” ou “Not Me”. A tecnologia é desenvolvida pela Traitify, empresa especializada em testes visuais de perfil comportamental e que também atende marcas como McDonald’s e FedEx.
Segundo as empresas, o objetivo é mapear características comportamentais como estabilidade emocional, cooperação e adaptação ao ambiente de trabalho. A proposta faz parte de um movimento mais amplo de digitalização dos processos de recrutamento, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial e da automação em RH.
Apesar disso, o formato gerou críticas e debates nas redes sociais. Um dos casos que ganhou repercussão foi o de Jackson Haws, candidato a uma vaga no Olive Garden, que publicou um vídeo no TikTok questionando a lógica do processo seletivo.
“Eu só queria servir mesas”, comentou o candidato em um vídeo que viralizou ao mostrar parte do teste com os avatares e cenários hipotéticos.
A repercussão levantou discussões sobre os limites do uso de IA em recrutamento, especialmente em vagas operacionais. Muitos usuários questionaram se testes gamificados conseguem realmente avaliar competências profissionais melhor do que entrevistas tradicionais, experiências anteriores ou referências.
O caso reforça uma tendência crescente no setor de foodservice e varejo: o avanço de ferramentas digitais e inteligência artificial também nos bastidores da operação, incluindo contratação, treinamento e gestão de equipes — movimento acompanhado de perto pelo Portal Foodbiz.







