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Indústria de alimentos e bebidas preserva margens em meio à pressão sobre receitas

A indústria brasileira de alimentos e bebidas iniciou 2026 sob pressão de custos, volatilidade das commodities e consumo ainda afetado pelos juros elevados. Mesmo diante do cenário desafiador, grandes empresas do setor conseguiram preservar — e em alguns casos ampliar — suas margens operacionais, apoiadas em eficiência, gestão de custos e estratégias de premiumização.

A avaliação faz parte de uma análise elaborada por Edson Kawabata, sócio-diretor da Peers Consulting + Technology, sobre os resultados financeiros do primeiro trimestre de companhias como Ambev, M. Dias Branco e Camil. Segundo o especialista, o período mostrou um mercado menos dependente exclusivamente de crescimento de volume e cada vez mais focado em rentabilidade e diferenciação de portfólio.

Entre os destaques do trimestre, a Ambev apresentou o desempenho mais positivo entre as empresas analisadas. A companhia registrou crescimento de 1,2% no volume de cervejas no Brasil, contrariando expectativas de retração no consumo. O avanço foi impulsionado principalmente pelas categorias premium, cervejas sem álcool e bebidas saudáveis, que cresceram respectivamente 20%, 10% e 70%.

O mix mais qualificado permitiu aumento de 8% no preço médio e contribuiu para a expansão da margem EBITDA ajustada da companhia, que alcançou 33,6%. Para Kawabata, o resultado reforça o fortalecimento estratégico da premiumização dentro da indústria de bebidas.

A M. Dias Branco também apresentou crescimento operacional relevante, especialmente em volumes vendidos e ganho de participação de mercado. A empresa avançou em categorias como biscoitos, crackers e farinha de trigo, mas enfrentou pressão nos preços médios devido ao maior peso de produtos de menor margem, incluindo itens voltados ao foodservice.

Mesmo assim, a companhia conseguiu ampliar a margem bruta para 32,4%, beneficiada pela redução nos custos de matérias-primas como trigo e açúcar. O EBITDA cresceu 21,8% no comparativo anual.

Já a Camil enfrentou um dos cenários mais complexos do trimestre, impactada pela forte queda nos preços do arroz. Apesar do crescimento de 8,9% nos volumes vendidos, a deflação da commodity pressionou as receitas da companhia. Ainda assim, a empresa conseguiu preservar margens por meio da eficiência operacional e do controle de custos.

Segundo a análise, uma das principais tendências do setor em 2026 está justamente na busca por categorias de maior valor agregado e menor dependência das commodities tradicionais. Produtos premium, saudáveis, snacks funcionais e linhas gourmet aparecem como apostas estratégicas para ampliar rentabilidade e reduzir vulnerabilidade às oscilações do mercado agrícola.

A expectativa para os próximos meses envolve fatores que podem impulsionar o setor, como a Copa do Mundo de 2026, uma possível recuperação nos preços do arroz e eventuais cortes na taxa Selic. Por outro lado, seguem no radar desafios como o endividamento das famílias, a concorrência acirrada e a volatilidade das commodities.

O cenário reforça um movimento cada vez mais claro dentro da indústria de alimentos e bebidas: eficiência operacional, inovação e diferenciação de portfólio se consolidam como pilares estratégicos para sustentar crescimento e rentabilidade no novo ciclo do consumo brasileiro.

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Fonte: Portal Agronegócio

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