29 milhões de pedidos: Sushi dispara no delivery e cuidado com a entrega é redobrado
O sushi é um dos maiores protagonistas quando o assunto é delivery no Brasil. De acordo com dados divulgados pelo Ifood, só entre janeiro e agosto de 2025, foram 29 milhões de pedidos de sushi, sashimi e temaki, a culinária japonesa já está entre as mais pedidas do país. No acumulado do ano, o volume supera 33 milhões de pedidos, com média de mais de 122 mil por dia.
Isso porque o sushi opera em uma condição específica. Ao mesmo tempo em que é consumido em temperatura ambiente para preservar sabor e textura, ele depende de controle rigoroso até o momento da entrega. De acordo com o Queensland Government (Austrália), alimentos perecíveis como sushi devem ser mantidos abaixo de 5 °C e não podem permanecer por longos períodos fora dessa faixa sem risco à qualidade e à segurança alimentar.
Isso cria uma janela um tanto limitada, segundo a mesma diretriz, alimentos desse tipo podem ficar até duas horas fora de refrigeração com segurança; entre duas e quatro horas, o consumo deve ser imediato; acima disso, o descarte é recomendado. Esse intervalo coincide diretamente com o tempo que envolve preparo, despacho e entrega, especialmente nos grandes centros urbanos.
“O sushi sai da cozinha com uma janela curta de consumo ideal. Pode diminuir a textura do arroz e o peixe exige estabilidade térmica. Quando há atraso ou variação de temperatura no trajeto, chega perceptivelmente diferente ao cliente”, afirma Ricardo Leme, sócio do restaurante de culinária japonesa com atuação 100% em delivery Sushi Garden.
O pico de pedidos ocorre no jantar de fim de semana, período que concentra milhões de solicitações e aumenta tanto o tempo de preparo quanto a complexidade logística. Com mais pedidos simultâneos, o risco de o produto ficar parado aguardando coleta ou seguir por rotas mais longas, pode aumentar.
“Quando falamos de sushi e alimentos mais ‘delicados’, o tempo e a temperatura não podem ser variáveis secundárias. A operação precisa ser pensada para reduzir ao máximo o intervalo entre preparo e entrega, com rotas mais diretas e menor tempo de espera”, explica André Mortari, CEO da LETS, especialista em entregas orquestradas.
Como as peças são delicadas e montadas manualmente, o manuseio inadequado pode comprometer a apresentação do prato, o que pode ser considerado um fator importante na percepção de qualidade da culinária japonesa.
“A diferença entre uma boa experiência e uma negativa pode estar em poucos graus e em alguns minutos a mais no trajeto, é muito importante que o restaurante saiba bem como o alimento está sendo transportado para o cliente”. completa Ricardo.
De acordo com o CEO da LETS, isso envolve uma série de cuidados técnicos, como o uso de embalagens térmicas adequadas, a diferenciação entre itens quentes e frios no mesmo pedido e uma roteirização que evite múltiplas paradas.
Do lado do restaurante, a atenção se estende ao consumidor final. Ricardo destaca que alguns sinais ajudam a identificar quando o alimento pode não estar em condições ideais para consumo.
“Alterações na textura do arroz, que pode ficar excessivamente seco ou pastoso, odor mais intenso ou diferente do habitual no peixe e mudanças na coloração, como aspecto opaco ou escurecido. Esses são sinais visíveis de alerta. Peças desmanchando com facilidade ou com excesso de umidade na embalagem também indicam possível comprometimento durante o transporte”, explica.
O especialista ainda orienta que em casos de dúvida, o mais seguro é não consumir.
A orientação logística também passa pelo pós-entrega. “Se o consumidor identificar qualquer problema relacionado à qualidade do pedido, o ideal é reportar imediatamente na plataforma para que as medidas necessárias sejam tomadas”, afirma André.
Fonte: assessoria







