O desperdício que virou negócio de R$ 80 milhões no varejo brasileiro
Food To Save completa 5 anos mostrando como alimentos antes descartados se tornaram nova fonte de receita e eficiência para mais de 12 mil parceiros
Cinco anos atrás, o desperdício de alimentos era tratado pelo varejo como uma perda inevitável da operação. Hoje, ele começa a ser visto como uma variável estratégica de eficiência, e até de receita. Nesse intervalo, a Food To Save, app número 1 no combate ao desperdício de alimentos no Brasil, construiu um negócio em cima exatamente dessa mudança de mentalidade. A foodtech chega aos cinco anos de operação com 8,8 mil toneladas de alimentos salvos do desperdício, o equivalente a mais de 22 mil toneladas de CO₂ evitadas na atmosfera, e cerca de R$ 80 milhões gerados em receita incremental para parceiros do varejo alimentar.
O modelo, baseado no resgate de produtos próximos ao vencimento ou fora do padrão comercial tradicional, já movimentou mais de 8,8 milhões de “Sacolas Surpresa” – doces, salgadas ou mistas, com alimentos excedentes, mas ainda próprios para consumo – desde 2021. No período, a plataforma ultrapassou 10 milhões de downloads e expandiu presença para mais de 100 cidades em 14 estados, conectando mais de 12 mil parceiros entre supermercados, padarias, restaurantes, franquias e pequenos negócios, a consumidores.
Mais do que escala, o avanço revela uma mudança estrutural no comportamento do varejo. Segundo a startup, entre 70% e 90% dos produtos elegíveis ao desperdício já são redirecionados para venda via plataforma, reduzindo perdas e aumentando a eficiência operacional dos estabelecimentos. “O desperdício deixou de ser apenas um problema operacional e passou a ser entendido como uma oportunidade de eficiência e geração de valor. O varejo entendeu que sustentabilidade e resultado financeiro podem andar juntos”, afirma Lucas Infante, CEO da Food To Save.
Nos últimos anos, a startup passou a posicionar tecnologia como peça central da operação. Desde então, vem investindo em inteligência artificial para melhorar a recomendação de ofertas, aumentar a previsibilidade de estoque dos parceiros e personalizar a experiência do consumidor — um movimento que aproxima o modelo de lógica de marketplace com eficiência preditiva.
Para 2026, a estratégia inclui ampliar a presença em grandes redes varejistas, expandir categorias dentro da plataforma e aumentar a recorrência de compra, buscando transformar o uso do app em um comportamento habitual dos consumidores. Mesmo com espaço para expansão internacional no longo prazo, o foco atual segue no Brasil — onde o mercado de combate ao desperdício ainda é considerado pouco explorado e com alto potencial de eficiência operacional para o varejo.
“Chegar a cinco anos não é só sobre escala. É sobre o amadurecimento do modelo, do mercado e da nossa própria visão de impacto. O desafio agora não é provar que isso funciona, mas transformar o resgate de alimentos em parte estrutural da operação do varejo brasileiro”, diz Infante.
Fonte: assessoria







