Com a rotina alterada pelas festas juninas e Copa do Mundo, especialistas alertam para a necessidade de equilíbrio na ingestão de alimentos mais calóricos e de bebidas, especialmente para pessoas com diabetes ou com fatores de risco para o desenvolvimento da doença. A preocupação ganha ainda mais destaque no Dia Nacional do Diabetes, 26 de junho, data dedicada à conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o controle adequado da condição.
Segundo a Federação Internacional de Diabetes, o Brasil está entre os países com maior número de adultos convivendo com o distúrbio, um cenário que exige atenção permanente da população. Durante os festejos juninos, o consumo excessivo de receitas ricas em açúcar, carboidratos e bebidas alcoólicas pode provocar picos de glicemia e contribuir para complicações em pessoas já diagnosticadas, além de favorecer o ganho de peso e o aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, que ocorre quando o organismo não produz insulina suficiente ou desenvolve resistência a ela.
De acordo com Denis Harley, coordenador de Nutrição da UniFG Bahia, as celebrações não precisam ser sinônimo de restrições radicais, mas exigem moderação. “O importante é que o consumo seja consciente, observando as quantidades e evitando excessos. Pessoas com diabetes devem manter o acompanhamento da glicemia, respeitar os horários das refeições e ter atenção especial com doces e bebidas alcoólicas”, explica.
Além da alimentação, o Dia Nacional do Diabetes também chama a atenção para a importância da prática regular de atividades físicas, da manutenção do peso adequado e da realização de exames periódicos. Entre os principais sinais de alerta da doença estão sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço, perda de peso sem causa aparente e visão embaçada. No entanto, em muitos casos, o diabetes pode evoluir de forma silenciosa durante anos.
Diabetes tipo 5, uma nova classificação
Recentemente, uma descoberta chamou a atenção da população mundial: o diabetes tipo 5. Trata-se de uma nova classificação reconhecida pela comunidade científica e está associada à desnutrição ocorrida nos primeiros anos de vida ou durante a gestação. Diferentemente dos tipos 1 e 2, essa forma da doença não está relacionada a processos autoimunes nem ao excesso de peso e à resistência à insulina. O diabetes tipo 5 afeta principalmente pessoas que viveram em condições de insegurança alimentar e pode comprometer a capacidade do pâncreas de produzir insulina adequadamente.
“O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune e os anticorpos da pessoa anulam completamente a capacidade do pâncreas de produzir insulina. Com isso, a reserva de insulina se esgota em semanas ou meses após o diagnóstico. Já nos casos do diabetes tipo 5, as pessoas provavelmente sofreram uma desnutrição calórico-proteica relevante na vida intrauterina ou na primeira infância, o que causou uma diminuição das células pancreáticas produtoras de insulina, chamadas de células-beta, produzindo uma baixa secreção de insulina”, explica a endocrinologista Daniela Castro, docente da UniFG-BA, integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que reúne 15 escolas médicas em diferentes regiões do país.
Outra informação destacada pela médica é que no DM1, por não ter nenhuma produção de insulina, a pessoa precisa fazer várias aplicações do hormônio para sobreviver e evitar complicações agudas e crônicas da doença de base. Já no diabetes tipo 5, existe uma reserva de insulina, embora ela não seja suficiente para controlar os níveis de açúcar no sangue. Em relação ao tipo 2, a especialista reforça que a diferença é mais óbvia, pois cerca de 90% dos casos estão ligados ao sobrepeso ou obesidade, exatamente o contrário do tipo 5.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, no Brasil ainda não se tem dados de prevalência do diabetes tipo 5. O reconhecimento dessa classificação representa um importante avanço para a saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, pois pode contribuir para tratamentos mais efetivos, além de reforçar a importância de políticas voltadas ao combate à desnutrição infantil.
“A classificação desse tipo de diabetes é importante para que seus sintomas e causas sejam mais conhecidos, levando a um diagnóstico mais preciso. Lembrando que o tratamento não envolve apenas insulina, mas também um adequado aporte calórico, de proteínas e de micronutrientes”, completa a médica Daniela Castro.







