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FoodBiz

Frutas vermelhas podem beneficiar a saúde do coração

Consumir frutas e vegetais diariamente é uma das recomendações mais conhecidas para uma alimentação equilibrada. Um novo estudo, porém, chama atenção para outro aspecto: além da quantidade, a escolha dos alimentos pode influenciar a ingestão de compostos bioativos associados à saúde cardiovascular.

Publicado na revista científica Food & Function, o estudo “Adhering to dietary guidelines does not yield flavanol intake levels associated with beneficial cardiovascular effects” analisou o consumo de flavanóis, compostos encontrados em alimentos como frutas vermelhas e roxas, maçãs, favas e chá-verde.

Segundo a pesquisa, menos de 20% das pessoas avaliadas atingiram níveis de ingestão de flavanóis associados a benefícios cardiovasculares, inclusive entre indivíduos que consumiam regularmente as porções recomendadas de frutas e vegetais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que pessoas com mais de 10 anos consumam pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia. O estudo sugere, no entanto, que seguir uma recomendação baseada apenas na quantidade total não necessariamente resulta em uma ingestão elevada de flavanóis.

“A maioria das pessoas presume que comer muitas frutas e verduras já resolve isso, mas o que esta pesquisa demonstra é que as escolhas específicas que você faz importam muito mais do que a quantidade total”, afirma Maurizio Pupo, farmacêutico, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.

Quais alimentos são fontes de flavanóis?

Entre os alimentos apontados como fontes desses compostos estão ameixas, cranberries, amoras, morangos, mirtilos, cerejas e maçãs com casca. Chá-verde, favas e feijão carioca também aparecem entre as opções.

De acordo com os dados apresentados, uma xícara de 250 ml de chá-verde pode fornecer aproximadamente 200 mg de flavanóis. Uma maçã média com casca, cerca de 110 mg, enquanto uma porção de 200 g de morangos fornece aproximadamente 90 mg.

As quantidades variam de acordo com o alimento e a porção consumida. Por isso, a diversificação das fontes pode ser uma estratégia para ampliar a presença desses compostos na alimentação.

“Adicionar alimentos como mirtilos, ameixas, amoras, morangos, maçãs, favas e cerejas à dieta diária, especialmente quando combinados com chá-verde, pode ser uma maneira simples de promover a saúde do coração”, explica Pupo.

Estudo chama atenção para a qualidade das escolhas

O trabalho também dialoga com pesquisas anteriores sobre os possíveis efeitos cardiovasculares dos flavanóis. Segundo o conteúdo divulgado, estudos como o COSMOS (COcoa Supplement and Multivitamin Outcomes Study) investigaram a relação entre a ingestão desses compostos e desfechos cardiovasculares.

Para Pupo, os novos resultados podem contribuir para discussões sobre recomendações nutricionais mais específicas, que considerem não apenas o volume de frutas e vegetais ingerido, mas também a diversidade e a composição dos alimentos escolhidos.

“Consumir cinco porções por dia é a mensagem correta, mas talvez precisemos pensar com mais cuidado sobre quais cinco”, afirma.

O especialista também ressalta que a alimentação deve permanecer como a principal fonte desses compostos, já que frutas, vegetais e chás fornecem, além dos flavanóis, fibras, vitaminas e outros componentes nutricionais. Em situações específicas, eventual suplementação deve ser avaliada com orientação profissional.

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