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Hábitos domésticos de higiene elevam risco de surtos alimentares no Brasil

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Um número significativo de brasileiros ainda adota práticas inadequadas de higiene, manipulação e armazenamento de alimentos dentro de casa, aumentando o risco de surtos de doenças transmitidas por alimentos (DTAs). É o que revela uma pesquisa nacional conduzida pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), que ouviu cerca de 5 mil domicílios de todas as regiões do país e de diferentes faixas de renda.

O estudo, realizado entre setembro de 2020 e abril de 2021 — período marcado pelo reforço dos cuidados sanitários por causa da pandemia de Covid-19 —, identificou falhas relevantes mesmo em um contexto de maior atenção à limpeza. Apenas 38% dos entrevistados afirmaram higienizar corretamente vegetais antes do consumo.

O dado chama atenção porque frutas, legumes e hortaliças podem ser contaminados em diferentes etapas da cadeia produtiva e, muitas vezes, são consumidos crus. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda a lavagem em água corrente, seguida da imersão em solução sanitizante por 15 minutos e novo enxágue com água potável. Ainda assim, muitos participantes relataram usar apenas água ou até sabão e detergente, práticas que não são indicadas.

As proteínas animais também aparecem como ponto crítico. Metade dos entrevistados declarou lavar carne crua na pia da cozinha — hábito que aumenta o risco de contaminação cruzada. Além disso, 24% consomem carne malpassada e 17% ingerem ovos crus ou pouco cozidos. O problema é que respingos de água ao lavar carnes podem espalhar bactérias como Salmonella e Campylobacter para superfícies, utensílios e outros alimentos.

Descongelamento e armazenamento preocupam

O levantamento também revelou falhas no armazenamento dos alimentos. Cerca de 39% dos brasileiros descongelam produtos em temperatura ambiente, enquanto 11% só levam sobras à geladeira após duas horas ou mais fora da refrigeração. A recomendação é que alimentos perecíveis sejam refrigerados em até duas horas após o preparo, já que, em temperatura ambiente, a população de microrganismos pode dobrar a cada 20 minutos.

Segundo os pesquisadores, surtos de intoxicação alimentar em eventos e refeições coletivas costumam estar associados à permanência prolongada dos alimentos na chamada “zona de perigo”, entre 10 °C e 50 °C, faixa em que o crescimento microbiano é acelerado.

Em uma segunda etapa do estudo, 216 participantes da Região Metropolitana de São Paulo monitoraram a temperatura de suas geladeiras durante três dias. O resultado foi mais positivo: 91% dos refrigeradores operavam dentro da faixa recomendada, entre 0 °C e 10 °C — dado considerado relevante para a avaliação de riscos microbiológicos.

Os achados reforçam a importância da educação alimentar e da disseminação de informações claras sobre boas práticas dentro de casa, tema que impacta diretamente a saúde pública e também o debate sobre segurança dos alimentos, frequentemente acompanhado pelo Portal Foodbiz.


Fonte: Revista Galileu

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