O Relatório Mundial sobre a Felicidade 2025 traz uma descoberta que chama atenção para um hábito cotidiano: comer junto. Segundo os pesquisadores, as relações sociais desempenham papel fundamental no bem-estar, e o ato de compartilhar refeições se mostra um indicador tão relevante quanto renda ou desemprego para medir a satisfação com a vida.
Em um capítulo dedicado ao tema, intitulado “Compartilhar refeições com outros: como compartilhar alimentos fomenta a felicidade e as conexões sociais”, o estudo apresenta evidências de que dividir a mesa com outras pessoas está associado a mais emoções positivas e menos sentimentos negativos. A pesquisa se baseou em dados coletados pela Gallup em 142 países e territórios entre 2022 e 2023.
Diferenças culturais e hábitos regionais
Os resultados mostram contrastes significativos entre regiões. Enquanto alguns países registram altos índices de refeições compartilhadas, em outros prevalece o hábito de comer sozinho. A América Latina e o Caribe lideram o ranking: em média, seus habitantes compartilham nove refeições por semana. No extremo oposto, o Sul da Ásia apresenta menos de quatro refeições compartilhadas semanalmente.
Alguns exemplos chamam atenção no ranking:
- Canadá: 53ª posição, com média de 8,4 refeições compartilhadas por semana
- Estados Unidos: 69ª posição
- Reino Unido: 81ª posição
- Alemanha: 91ª posição
- Índia: 132º lugar, com cerca de 4 refeições
- Bangladesh e Estônia: últimas posições, com apenas 2,7 refeições compartilhadas por semana
O que a pesquisa revela sobre a vida moderna
Nos Estados Unidos, um recorte complementar mostrou que cada vez mais pessoas estão comendo sozinhas: em 2023, um em cada quatro americanos relatou ter feito todas as refeições sozinho no dia anterior — um aumento de 53% desde 2003.
Para os pesquisadores, essa tendência pode impactar diretamente os níveis de apoio social e de reciprocidade, aumentando a sensação de isolamento. Embora o estudo reconheça que fatores como renda e emprego influenciem o comportamento, ele aponta que a frequência com que se compartilham refeições é um dado independente e poderoso para entender a felicidade subjetiva.
Como o levantamento foi feito
A pesquisa perguntou, de forma padronizada, com que frequência as pessoas almoçam ou jantam com familiares, amigos ou conhecidos. Os resultados permitem comparar culturas e acompanhar mudanças ao longo do tempo. Apesar das evidências, o relatório sugere que ainda há espaço para entender melhor como esse hábito influencia o bem-estar e o fortalecimento de vínculos sociais.
Fonte: O Globo







