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Agro brasileiro articula reação a possível tarifa dos EUA sobre carne e etanol

Kent NISHIMURA/AFP

Representantes do agronegócio brasileiro participam nesta segunda-feira (6) de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para tentar evitar a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida faz parte da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Segundo reportagem da Exame, a estratégia do setor é demonstrar que a sobretaxação de produtos brasileiros poderá aumentar os custos da indústria dos Estados Unidos, pressionar a inflação e elevar os preços ao consumidor americano.

Ao todo, mais de 70 representantes brasileiros, entre lideranças do agronegócio, especialistas em comércio exterior, economistas e parlamentares, participam da audiência. O setor agropecuário contará com 11 representantes com direito à fala, enquanto 12 entidades norte-americanas também apresentarão seus argumentos.

Carne bovina e etanol estão entre os principais alvos

Entre os temas centrais da audiência está o setor de biocombustíveis. A Renewable Fuels Association (RFA), que representa os produtores de etanol dos Estados Unidos, defende a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais.

A entidade também apresentou uma pesquisa indicando que 74% dos eleitores norte-americanos apoiam o Renewable Fuel Standard (RFS), programa que determina a mistura obrigatória de biocombustíveis aos combustíveis fósseis no país.

Outro foco da discussão será a carne bovina. A United States Cattlemen’s Association (USCA) solicitou ao governo do presidente Donald Trump a adoção de tarifas e restrições mais rígidas sobre produtos bovinos brasileiros, incluindo carne, cortes e miúdos.

A associação argumenta que a pecuária brasileira apresenta vantagens competitivas relacionadas a questões ambientais e de rastreabilidade, enquanto representantes brasileiros defendem a competitividade do setor e a importância da relação comercial entre os dois países.

Audiência antecede decisão sobre novas tarifas

A audiência integra a investigação aberta pelo USTR após o governo dos Estados Unidos considerar que determinadas práticas comerciais brasileiras seriam “não razoáveis” no comércio bilateral.

Como resultado, foi proposta a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos EUA, embora a medida ainda dependa de decisão final.

As entidades brasileiras já encaminharam manifestações técnicas ao governo norte-americano e terão até cinco minutos para apresentar seus argumentos durante a audiência.

Entre os participantes estão organizações como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Sociedade Rural Brasileira (SRB), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), além de entidades dos setores de arroz, café solúvel, mel, madeira e papel.

A expectativa é que a decisão sobre a eventual adoção das novas tarifas seja anunciada até 15 de julho. Caso os Estados Unidos mantenham o entendimento de que o Brasil não promoveu mudanças consideradas suficientes, novas barreiras comerciais poderão ser implementadas.

Conteúdo adaptado de reportagem publicada pela Exame.

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