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Alívio nos fertilizantes deve beneficiar milho mais do que soja no Brasil

A queda recente nos preços dos fertilizantes, impulsionada pela reabertura do Estreito de Ormuz após o alívio das tensões no Oriente Médio, tende a reduzir parte da pressão sobre os custos do agronegócio brasileiro. No entanto, especialistas avaliam que o impacto positivo deve ser maior para a produção de milho do que para a soja na próxima safra.

O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, tornando-se um dos países mais sensíveis às oscilações do mercado internacional. A normalização da oferta de ureia, principal fonte de nitrogênio utilizada no milho, ocorre em um momento favorável para o planejamento da próxima safra do cereal.

Segundo dados da StoneX, as importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados registraram, até maio, o menor volume dos últimos seis anos. A expectativa agora é de retomada dos embarques, ampliando a disponibilidade do insumo antes do plantio do milho, previsto para o início de 2027.

Para produtores, o cenário mudou rapidamente.

“Todo mundo estava convencido de que teria de reduzir o uso de fertilizantes, mas esse acordo mudou a conversa”, afirmou o produtor rural Cayron Giacomelli, de Mato Grosso. Segundo ele, a redução dos preços deve favorecer principalmente a safrinha de milho.

Soja ainda enfrenta desafios

No caso da soja, a situação é diferente. O plantio começa já em setembro, o que reduz o tempo disponível para a chegada de novas cargas importadas. Além disso, a cultura depende fortemente de fertilizantes fosfatados, cuja oferta continua pressionada.

De acordo com Daniele Siqueira, analista da AgRural, ainda há risco de atrasos na entrega dos insumos e redução da aplicação de fertilizantes na próxima safra.

Outro fator que contribui para o cenário é a paralisação de unidades da Mosaic em Minas Gerais, que reduz parte da oferta nacional de fertilizantes fosfatados. Ao mesmo tempo, o enxofre — matéria-prima essencial para esse tipo de produto — permanece com preços elevados devido às restrições logísticas e ao aumento da demanda global.

Custos seguem pressionando o produtor

Mesmo com a queda da ureia, especialistas alertam que outros custos ainda permanecem elevados. O frete internacional continua pressionado e eventuais cargas que chegarem fora da janela tradicional de importação poderão enfrentar dificuldades logísticas para distribuição no interior do país.

Além disso, a combinação entre preços mais baixos da soja e margens apertadas pode levar parte dos produtores a reduzir o uso de fertilizantes.

Segundo Lucas Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, muitos agricultores avaliam diminuir a aplicação de insumos na próxima safra, decisão que poderá afetar a produtividade.

Embora o cenário para o milho tenha melhorado, o mercado segue acompanhando os desdobramentos da oferta global de fertilizantes e os impactos que a volatilidade geopolítica ainda pode provocar sobre os custos da produção agrícola.

Conteúdo adaptado de reportagem publicada pela Bloomberg.

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