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Sustentabilidade deve gerar retorno econômico ao produtor rural

A sustentabilidade no agronegócio precisa estar diretamente associada à geração de valor econômico para o produtor rural. Essa é a avaliação de Daniel Vargas, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-secretário de Ações Estratégicas do Governo Federal, durante entrevista ao programa Giro do Boi.

Segundo o especialista, o Brasil deve assumir um papel mais ativo na construção das regras da economia de baixo carbono, transformando sua relevância ambiental e a competitividade do agronegócio em oportunidades comerciais e financeiras.

Sustentabilidade e rentabilidade precisam caminhar juntas

Para Vargas, políticas ambientais voltadas ao campo devem priorizar incentivos econômicos em vez de medidas exclusivamente restritivas.

“O produtor precisa enxergar valor econômico na sustentabilidade. Só existe empresa verde se o produtor estiver operando no azul”, afirmou.

Na avaliação do professor, mecanismos de remuneração para produtores que adotam boas práticas ambientais podem acelerar a transição para uma economia de baixo carbono sem comprometer a competitividade do setor.

Incentivos para reduzir emissões

Entre as propostas apresentadas pelo especialista está a criação de incentivos para produtores que reduzam as emissões de metano na pecuária.

Segundo ele, investimentos em melhoramento genético, nutrição de precisão e tecnologias de intensificação da produção podem diminuir o ciclo produtivo dos animais e reduzir as emissões, gerando benefícios ambientais que poderiam ser convertidos em créditos ou incentivos financeiros.

Outra medida defendida é a ampliação de linhas de crédito destinadas à recuperação de áreas degradadas, fortalecendo o potencial das pastagens como sumidouros de carbono.

Brasil deve participar da construção das regras globais

Vargas também argumenta que o país precisa ampliar sua participação nas discussões internacionais sobre mercados regulados de carbono.

Na visão do professor, métricas desenvolvidas com base em sistemas produtivos de países de clima temperado nem sempre refletem as características da agropecuária tropical brasileira.

Por isso, ele defende que o Brasil participe da formulação desses critérios para evitar que diferenças metodológicas reduzam a competitividade do agronegócio nacional.

Rastreabilidade volta ao centro das discussões

Outro tema abordado foi a entrada em vigor das novas exigências da União Europeia para produtos de origem animal.

As regras preveem maior rastreabilidade das cadeias produtivas, exigindo informações detalhadas sobre a origem dos animais e seu histórico produtivo.

Segundo Vargas, a adaptação representa um desafio para parte da cadeia brasileira, principalmente devido ao tempo necessário para adequação dos sistemas de produção e controle.

Relação comercial com a China também exige estratégia

Durante a entrevista, o professor também destacou a importância da coordenação entre governo e setor privado nas negociações comerciais com a China.

Segundo ele, a dinâmica das importações chinesas pode influenciar diretamente os preços da carne bovina brasileira, tornando necessária uma estratégia de longo prazo para ampliar a previsibilidade das exportações e reduzir a exposição do setor às oscilações do mercado internacional.

Sustentabilidade como diferencial competitivo

Na avaliação do especialista, a sustentabilidade tende a se consolidar como um fator estratégico para o agronegócio brasileiro, desde que seja acompanhada por instrumentos que promovam ganhos econômicos aos produtores.

Para ele, políticas públicas, inovação, acesso ao crédito e participação ativa nas discussões internacionais serão determinantes para que o Brasil transforme seus ativos ambientais em vantagem competitiva no comércio global.

Fonte: entrevista de Daniel Vargas ao programa Giro do Boi.

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