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Consumo mundial de carne bovina deve recuar em 2026, mas preços seguem pressionados

O consumo mundial de carne bovina deve apresentar queda em 2026. Ainda assim, o movimento esperado na demanda será menor do que a retração prevista na oferta global, o que ajuda a explicar por que os preços seguem em patamares elevados no mercado internacional.

Na prática, a produção mundial de carne bovina deve cair mais do que o consumo, mantendo pressão tanto sobre o preço do boi pronto para o abate quanto sobre o valor final da carne para o consumidor. Esse cenário vem sendo acompanhado de perto pelo setor, especialmente diante dos recordes recentes observados em diferentes mercados.

Dados revisados pelo USDA em dezembro de 2025 trazem novas projeções para o consumo mundial de carne bovina em 2025 e 2026, além de estimativas por país entre os principais produtores e consumidores globais. As informações consideram volumes em milhões de toneladas, em equivalente carcaça, no período de 2020 até as projeções para 2026.

A produção global de carne bovina deve recuar em 2026, impulsionada principalmente pela menor oferta de animais para abate. O Brasil aparece como o país com a maior queda absoluta de produção entre os grandes produtores. Após um recorde esperado em 2025, a produção mundial deve passar de 61,95 para 61,03 milhões de toneladas, uma redução de cerca de 1,47%, ou aproximadamente 900 mil toneladas.

Já o consumo mundial deve cair 1,12% em 2026, alcançando 59,52 milhões de toneladas. Caso a projeção se confirme, será o menor nível desde 2023. Como a retração da demanda é menor do que a queda da oferta, a expectativa é de manutenção de preços firmes ao longo de 2026.

Nos Estados Unidos, maior mercado consumidor de carne bovina do mundo, a demanda deve permanecer praticamente estável em relação a 2025, com consumo estimado em 13,07 milhões de toneladas. O país também se destacou em 2025 como um importante destino da carne bovina brasileira, mesmo diante de períodos de aplicação de tarifas adicionais sobre os produtos exportados pelo Brasil.

A China, segundo maior consumidor global e principal importador da carne bovina brasileira, deve registrar queda na demanda em 2026. A projeção aponta recuo de 11,58 para 11,29 milhões de toneladas. Apesar disso, o consumo chinês segue próximo dos maiores níveis históricos. Entre 2020 e 2026, o aumento acumulado do consumo de carne bovina no país se aproxima de 20%.

No Brasil, a expectativa também é de retração da demanda interna em 2026. O consumo doméstico deve atingir o menor patamar desde 2022, novamente abaixo de 8 milhões de toneladas em equivalente carcaça. A combinação de preços mais altos do boi gordo e, consequentemente, da carne no varejo tende a limitar o consumo no mercado interno.

Mesmo com a tendência de queda no consumo mundial, a redução mais intensa da oferta mantém a carne bovina brasileira bastante disputada no mercado internacional. Além de compradores tradicionais como China, Rússia e Chile, novos mercados vêm ganhando relevância, como Indonésia e Vietnã, reforçando o papel do Brasil no abastecimento global.

O tema é acompanhado de perto pelo IFB e pelo Portal Foodbiz, que vêm analisando os impactos desse cenário para o foodservice, a indústria e o consumidor final, especialmente em um contexto de custos elevados e mudanças no padrão de consumo.

Outro ponto de atenção é o comportamento do índice global de preços dos alimentos da FAO, que voltou a subir em 2025, puxado principalmente pelos preços recordes da carne e dos produtos lácteos. O movimento reforça a leitura de que 2026 deve ser um ano de atenção redobrada para toda a cadeia.

E, olhando além da carne bovina, a América do Sul segue passando por transformações relevantes. Um exemplo é o Paraguai, que começa a se destacar não apenas como produtor de commodities, mas como um potencial hub de inovação agrícola na região — um movimento que merece atenção de quem acompanha tendências no agronegócio e no foodservice.

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