FoodBiz

Cozinhar ou delivery: o que pesa mais no bolso do consumidor?

Levantamentos recentes mostram que a diferença entre preparar a própria refeição e pedir comida por aplicativo pode ultrapassar 60%, mas promoções e novos formatos, como marmitas por assinatura, mudam essa conta.

A decisão entre cozinhar em casa ou recorrer ao delivery deixou de ser apenas uma questão de conveniência. Com a expansão dos aplicativos de entrega e a consolidação do hábito de pedir comida online, a escolha passou a impactar diretamente o orçamento das famílias — e, por consequência, o próprio mercado de foodservice.

Dados de pesquisa da Serasa em parceria com a Opinion Box, divulgada em fevereiro de 2026, indicam que o brasileiro gasta, em média, R$ 930 por mês em supermercado, dentro de um custo de vida médio estimado em R$ 3.520 mensais. Alimentação, portanto, ocupa uma fatia relevante da renda.

Quanto custa cozinhar em casa?

Embora o senso comum aponte o preparo doméstico como opção mais barata, a conta não envolve apenas ingredientes.

De acordo com especialistas em planejamento financeiro ouvidos pela reportagem original, o custo médio de uma refeição preparada em casa varia entre R$ 10 e R$ 18 por pessoa, dependendo da proteína escolhida, do aproveitamento dos alimentos e do volume produzido.

Ao considerar custos indiretos — como gás, água, energia elétrica e o tempo dedicado ao preparo — o valor total estimado pode chegar a R$ 29,40 por refeição.

E o delivery?

No caso dos aplicativos, o ticket médio atual varia entre:

  • R$ 30 e R$ 55 para refeições completas
  • R$ 25 e R$ 45 para lanches ou fast food

O frete costuma oscilar entre R$ 5 e R$ 15, podendo ser reduzido em promoções. Com bebidas, taxas de serviço e adicionais, o valor final pode ultrapassar R$ 60 por pedido.

A chamada “guerra do delivery”, com a entrada de novos concorrentes no mercado, tem pressionado as plataformas a oferecer descontos e frete grátis. Ainda assim, o custo logístico permanece embutido — seja explícito na taxa de entrega ou diluído no preço dos itens.

Na comparação direta, cozinhar em casa (cerca de R$ 29,40) tende a ser mais econômico do que pedir delivery com frequência (em torno de R$ 60), especialmente para famílias. A diferença pode chegar a 60% dependendo da regularidade de consumo.

O papel dos clubes e cupons

Programas de assinatura — que podem custar a partir de R$ 13,90 — oferecem benefícios como frete grátis e descontos fixos ou percentuais. Segundo especialistas, essas vantagens conseguem reduzir o custo de um pedido entre 20% e 30%.

O ponto de atenção está na frequência: promoções podem incentivar mais pedidos, elevando o gasto total mensal mesmo com descontos unitários.

Para o foodservice, esse comportamento revela uma dinâmica importante: o preço individual pode cair, mas o volume de pedidos tende a crescer — um fator relevante para análise de margem e recorrência.

Renda influencia a escolha

A decisão também varia conforme a faixa de renda. Famílias com renda em torno de dois salários mínimos tendem a concentrar pedidos de delivery em ocasiões pontuais, como finais de semana. Já em rendas acima de cinco salários mínimos, o uso pode se espalhar ao longo da semana, impulsionado pela busca por praticidade.

Outro dado relevante vem do Índice Prato Feito (FAC), da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo, que será lançado em abril. A amostragem inicial aponta que o prato a la carte custa, em média:

  • R$ 29,46 para consumo no local
  • R$ 30,16 na modalidade delivery

A diferença unitária é pequena, mas acumulada ao longo do mês se torna significativa — tanto para o consumidor quanto para o operador.

Um meio-termo: marmitas e refeições semi-prontas

Entre o fogão e o aplicativo tradicional, cresce uma terceira via: marmitas por assinatura e refeições semi-prontas.

Os preços variam, em média, de R$ 15 a R$ 34,90 por unidade, dependendo do cardápio, volume contratado e região. Há opções completas e nutritivas na faixa de R$ 20, posicionando-se entre o custo do preparo integral em casa e o valor do delivery convencional.

Para o consumidor, o modelo oferece previsibilidade de gasto. Para o setor, representa uma estratégia de fidelização e aumento de recorrência com melhor controle operacional.

O que essa conta revela para o foodservice?

Mais do que decidir entre casa ou delivery, o consumidor está equilibrando três fatores: preço, tempo e conveniência.

O avanço dos clubes de assinatura, a competitividade no frete e a ascensão das marmitas estruturam um cenário em que o delivery não substitui totalmente o preparo doméstico — mas se consolida como parte da rotina alimentar.


Conteúdo publicado pela Exame e adaptado pelo Portal Foodbiz

Compartilhar