O Grupo Gennius, responsável pelas marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, teve o pedido de recuperação judicial deferido pela Justiça de São Paulo. O processo envolve uma dívida de aproximadamente R$ 265,2 milhões e reúne 178 CNPJs ligados à operação.
A decisão foi proferida pelo juiz Jomas Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Segundo o processo, o passivo submetido à recuperação é composto por cerca de R$ 22,3 milhões em dívidas trabalhistas, R$ 241,7 milhões em créditos quirografários e outras categorias e R$ 1,1 milhão em créditos de microempresas e empresas de pequeno porte.
Com o deferimento, ficam suspensas determinadas cobranças e execuções contra as empresas, enquanto contratos e serviços considerados essenciais para a continuidade das atividades são preservados.
A KPMG foi nomeada administradora judicial e deverá acompanhar a situação das empresas durante o processo. O Grupo Gennius terá ainda de apresentar demonstrativos mensais e possui prazo de 60 dias para entregar seu plano de recuperação judicial.
Recuperação envolve 178 empresas
A estrutura incluída no processo reúne diferentes negócios ligados ao Grupo Gennius. Entre eles estão 119 lojas do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo e seis churrascarias Tendall, além de franqueadoras, holdings, indústrias e empresas responsáveis por atividades operacionais e de apoio aos franqueados.
Duas propriedades rurais dedicadas à produção de insumos utilizados pelas operações também fazem parte do pedido.
Segundo a argumentação apresentada no processo, as empresas possuem forte interdependência financeira e operacional, incluindo avais e garantias cruzadas. Por esse motivo, o grupo busca realizar a reestruturação de forma conjunta.
Antes do pedido de recuperação judicial, o Grupo Gennius já havia obtido medidas cautelares para suspender temporariamente cobranças e execuções. De acordo com a companhia, o período permitiu avançar nas negociações com credores, mas não foi suficiente para solucionar o desequilíbrio financeiro.
Grupo aponta pandemia, mudança de consumo e juros como fatores
Entre os fatores apresentados para explicar a situação financeira estão os impactos da pandemia de Covid-19, as mudanças nos hábitos de consumo e o aumento das taxas de juros nos últimos anos.
Segundo os documentos apresentados à Justiça, a pandemia afetou especialmente unidades localizadas em shoppings e grandes centros urbanos. A consolidação dos modelos de trabalho remoto e híbrido também teria reduzido o fluxo de consumidores nesses locais.
O avanço do delivery aparece como outro elemento relevante. Embora as plataformas tenham ampliado os canais de venda, o grupo argumenta que a mudança no comportamento dos consumidores e os custos associados ao modelo contribuíram para pressionar as margens das operações físicas.
O cenário de juros elevados também é apontado como um dos motivos para o agravamento da situação financeira. Segundo o pedido, o aumento do custo das dívidas afetou o capital de giro e a capacidade de investimento das empresas. O grupo informa ainda possuir mais de R$ 300 milhões em dívida bancária com diferentes instituições financeiras.
Operações seguem normalmente
Em nota, o Grupo Gennius afirmou que a recuperação judicial integra seu processo de reestruturação financeira e tem como objetivo preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo.
A companhia informou ainda que suas operações continuam funcionando normalmente, com manutenção do atendimento aos clientes e da rotina das unidades.
O próximo passo será a apresentação do plano de recuperação, que deverá detalhar as condições propostas para reorganização das dívidas e pagamento dos credores.







