Os preços globais dos alimentos voltaram a cair em janeiro, marcando o quinto mês seguido de retração, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O movimento foi impulsionado principalmente pela queda nas cotações internacionais de laticínios, açúcar e carnes, que mais do que compensaram as altas observadas em óleos vegetais e arroz.
De acordo com o Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha mensalmente uma cesta de commodities alimentícias negociadas no mercado internacional, a média registrada em janeiro foi de 123,9 pontos. O resultado representa uma queda de 0,4% em relação a dezembro e de 0,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
No grupo dos cereais, houve leve alta de 0,2%, com a retração nos preços do trigo e do milho sendo compensada por um avanço de 1,8% no arroz, reflexo de uma demanda mais firme por variedades aromáticas.
Já o índice de óleos vegetais subiu 2,1%, puxado principalmente pelo óleo de palma, em meio à desaceleração sazonal da produção no Sudeste Asiático e à demanda global consistente. O óleo de soja também apresentou recuperação, diante da menor disponibilidade para exportação na América do Sul e da expectativa de forte consumo para biocombustíveis nos Estados Unidos. Em contrapartida, o óleo de canola teve leve recuo, com ampla oferta na União Europeia.
Entre as proteínas, o índice de preços das carnes caiu 0,4%, pressionado pela redução nas cotações da carne suína. Os preços da carne de aves avançaram, sustentados por valores mais altos no Brasil e pela demanda internacional aquecida, enquanto as carnes bovina e ovina permaneceram praticamente estáveis. O índice de laticínios registrou a maior queda do mês, com recuo de 5,0%, influenciado principalmente pelas baixas nos preços do queijo e da manteiga. O açúcar também apresentou retração, de 1,0%, diante da expectativa de maior oferta global, com recuperação da produção na Índia e boas perspectivas no Brasil e na Tailândia.
Além do comportamento dos preços, a FAO destacou um cenário de oferta abundante de grãos no mercado global. A produção mundial de cereais em 2025 foi estimada em 3,023 bilhões de toneladas, com colheitas recordes de trigo, cereais secundários e arroz. Os estoques globais devem crescer 7,8%, alcançando um recorde histórico, enquanto a relação estoque/consumo pode chegar a 31,8%, o maior nível desde 2001. Para o ciclo 2025/26, a expectativa é de um avanço de 3,6% no comércio mundial de cereais, reforçando um ambiente de abastecimento confortável.







