O IPCA fechou dezembro com variação de 0,33% e encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, segundo o IBGE. No recorte da alimentação fora do lar — que inclui bares e restaurantes — a variação anual chegou a 6,97%, acima do índice geral. Apesar disso, o movimento não indica um aumento fora de controle, mas sim um processo de recomposição de preços após um longo período de pressão sobre as margens do setor.
Ao observar a evolução entre 2020 e 2025, o cenário fica mais claro. Nesse intervalo, a alimentação fora do lar acumulou alta de 44,05%, percentual inferior à inflação de alimentos e bebidas (54,20%) e também à alimentação no domicílio (61,15%). O dado mais emblemático está no item refeição, que concentra grande parte do consumo nos estabelecimentos: a alta foi de 35,63% em seis anos, abaixo inclusive do índice geral do período, de 39,71%.
Na prática, isso mostra que bares e restaurantes seguraram reajustes por bastante tempo, mesmo diante do aumento expressivo de custos ao longo da cadeia produtiva. “O setor está tentando equilibrar as contas diante de aumentos acumulados que vieram de toda a cadeia”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Ele também relembra os impactos da pandemia: “Foram anos muito duros, com quedas bruscas de faturamento e acúmulo de dívidas que, em muitos casos, ainda persistem”.
Mesmo com um ambiente ainda desafiador, os empresários demonstram uma visão mais positiva para 2026. Pesquisa da Abrasel realizada em dezembro indica que 62% esperam faturar mais neste ano, enquanto 48% acreditam em melhora da economia. “É importante que o consumidor entenda que não se trata de ganho extra, mas de sobrevivência. A recomposição de preços é essencial para manter empregos e a qualidade do serviço”, reforça Solmucci.
.
Fonte: Monitor Mercantil







