A inflação brasileira voltou a acelerar em setembro, após a deflação registrada no mês anterior, mas ainda ficou abaixo das estimativas do mercado financeiro. O resultado reforça um cenário de estabilidade gradual nos preços, mesmo com pressões pontuais em alguns segmentos, e mostra que a política monetária restritiva continua surtindo efeito sobre a economia.
Segundo análise do Sindilojas-SP, os números do mês revelam uma transição importante: de um lado, o aumento no custo da energia elétrica voltou a pressionar o índice; de outro, a sequência de quedas nos alimentos tem funcionado como contrapeso, evitando uma alta mais expressiva do IPCA.
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Energia em alta, alimentos em queda
Após recuar 0,11% em agosto, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,48% em setembro, de acordo com o IBGE. O resultado ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado, que previa uma alta superior a 0,50%.

A principal influência veio do grupo Habitação, que avançou 2,97% puxado pelo aumento de 10,31% na energia elétrica residencial, após queda de 4,21% no mês anterior. Já o grupo Alimentação e bebidas apresentou retração de 0,26% — a quarta consecutiva — com destaque para reduções expressivas nos preços de tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%), batata-inglesa (-8,55%) e arroz (-2,14%).
Mesmo com a alta, setembro registrou a maior variação mensal desde março, quando o IPCA havia atingido 0,56%. No acumulado de 2025, a inflação soma 3,64% e, em 12 meses, 5,17%, ligeiramente acima dos 5,13% anteriores. Apesar disso, o comportamento dos preços sinaliza uma desaceleração gradual do ritmo inflacionário.

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Impacto maior sobre famílias de menor renda
O INPC, índice que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, subiu 0,52% em setembro — variação um pouco maior que a do IPCA. Isso se deve ao peso mais significativo da energia elétrica no orçamento das famílias dessa faixa de renda. O grupo Habitação teve alta de 3,28%. No acumulado do ano, o índice soma 3,62%, e em 12 meses, 5,10%.
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Avaliação do Sindilojas-SP
Para o presidente do Sindilojas-SP, Aldo Nuñez Macri, os resultados confirmam as projeções da entidade de que o país não voltaria a registrar deflação em setembro. “O Sindilojas-SP já havia previsto que o IPCA voltaria a subir, principalmente por conta do fim do crédito do ‘Bônus de Itaipu’, que havia reduzido o custo da energia em agosto. Ainda assim, tanto o IPCA quanto o INPC ficaram abaixo do esperado, o que mostra uma moderação dos preços”, afirma.
Macri ressalta, no entanto, que o controle da inflação ainda não está consolidado. “Mesmo com sinais de desaceleração, a inflação em 12 meses continua acima do teto da meta. A boa notícia é que a queda sustentada dos preços dos alimentos e o alívio no câmbio devem contribuir para uma trajetória mais favorável. É provável que o ano termine com o índice anual mais próximo de 4,5% do que de 5%”, avalia.

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Efeitos sobre o consumo e o varejo
O presidente do Sindilojas-SP também chama atenção para o impacto dos juros elevados sobre o comportamento do consumidor. “Com o endividamento ainda alto, as famílias tendem a concentrar seus gastos em itens essenciais. O varejo precisa estar atento a esse movimento, ajustando seu mix de produtos e estratégias de venda para acompanhar o poder de compra real do consumidor”, conclui.
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Fonte: Assessoria







