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Mubadala aposta em M&As complexos e grandes operações

Foto: Christopher Pike/Bloomberg

O Mubadala Capital, braço de ativos alternativos do fundo soberano de Abu Dhabi, está ampliando sua atuação em fusões e aquisições consideradas complexas — operações que, segundo a própria gestora, costumam ser evitadas por grandes fundos de private equity e por outros investidores soberanos.

Em entrevista à Bloomberg News, o CIO Oscar Fahlgren afirmou que a estratégia é buscar negócios bilionários com estruturas desafiadoras, capazes de gerar retornos acima da média a partir da resolução dessas complexidades.

“Estamos em busca de grandes negócios complexos, nos quais possamos destravar essa complexidade e gerar alfa para nossos investidores”, disse o executivo.

Um exemplo recente é a aquisição da Clear Channel Outdoor Holdings, empresa americana de mídia out-of-home. O Mubadala Capital concordou em comprar a companhia e aportar US$ 3 bilhões em novo capital próprio. A transação avalia a Clear Channel em US$ 6,2 bilhões, incluindo dívidas. A empresa possui ativos relevantes, mas vinha pressionada por um endividamento superior a US$ 5 bilhões.

Segundo Fahlgren, esse perfil de operação deve se repetir nos próximos movimentos da gestora.

Diferenciação dentro do ecossistema de Abu Dhabi

O posicionamento do Mubadala Capital também marca uma diferença em relação a outros grandes fundos soberanos de Abu Dhabi, como a Abu Dhabi Investment Authority (ADIA), que tradicionalmente atua como investidor minoritário.

A gestora tem adotado uma abordagem mais ativa, frequentemente assumindo posições majoritárias e liderando transformações operacionais. No fim de 2024, por exemplo, concluiu a aquisição da CI Financial, em uma das maiores operações de fechamento de capital já realizadas por um investidor de Abu Dhabi no setor financeiro. Meses antes, havia fechado a compra do Fortress Investment Group.

“Para a maioria dos grandes fundos de buyout hoje, a complexidade nas transações não é o cenário ideal. Nós abraçamos a complexidade e mergulhamos fundo nessas situações para criar valor de longo prazo. Isso nos diferencia dos demais”, afirmou o CIO.

O Mubadala Capital administra, assessora ou supervisiona mais de US$ 430 bilhões em ativos. A operação global conta com mais de 200 profissionais e escritórios em Abu Dhabi, Nova York, Londres, São Francisco e Rio de Janeiro.

Presença relevante no Brasil

No Brasil, o grupo tem participação majoritária na Zamp, operadora das redes Burger King, Popeyes, Subway e Starbucks no país. Também controla a Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe (BA), e possui participação relevante na Atvos, do setor de açúcar e etanol. A gestora ainda controla a Clariens Educação, focada em faculdades de medicina.

Fundado em 2011, o Mubadala Capital integra um ecossistema de entidades de investimento de Abu Dhabi que, juntas, supervisionam cerca de US$ 2 trilhões em ativos. Nos últimos anos, esse sistema passou por reestruturações importantes, incluindo a incorporação do ADQ pela L’imad Holding Co. e a criação de uma nova holding financeira pela International Holding Co., com cerca de US$ 237 bilhões em ativos.

Outro diferencial do Mubadala Capital é a captação de recursos junto a investidores institucionais globais — movimento incomum entre fundos soberanos quando iniciado e que depois passou a ser replicado por outras casas do emirado. A gestora também vendeu participações minoritárias em sua própria estrutura. Em 2025, a TWG, firma liderada por Mark Walter (Guggenheim Partners) e Thomas Tull, adquiriu participação no negócio e tornou-se parceira do Mubadala na operação com a Clear Channel.

“De certa forma, gostamos de nos enxergar como generalistas especializados”, disse Fahlgren. “Não buscamos processos competitivos de leilão e não acreditamos que comprar ativos de outros fundos de buyout vá gerar valor no longo prazo. Estamos procurando oportunidades onde outros não atuam com tanta frequência.”

Para o mercado brasileiro — inclusive no foodservice, onde o grupo já tem presença relevante — o posicionamento indica que operações estruturadas, desalavancagens e ativos pressionados financeiramente podem entrar cada vez mais no radar de investidores globais com perfil mais estratégico e operacional.

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Conteúdo Bloomberg Línea

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