O açúcar voltou ao centro do debate alimentar nos Estados Unidos. O governo Trump incluiu o tema como prioridade na agenda da FDA para 2026, sinalizando uma nova etapa na pressão sobre a indústria de alimentos e bebidas para reduzir o açúcar adicionado em produtos industrializados.
A movimentação está alinhada ao movimento “Make America Healthy Again” (Tornar a América Saudável Novamente), defendido pelo secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert Kennedy Jr., que tem adotado um discurso duro contra o consumo excessivo de açúcar. Para ele, o ingrediente está diretamente ligado ao avanço de doenças crônicas no país.
Segundo a FDA, a estratégia em construção prevê incentivar — de forma voluntária — a reformulação de produtos. Entre as iniciativas em estudo estão a definição de critérios para o uso da alegação “baixo teor de açúcar adicionado” nos rótulos e a criação de diretrizes para identificar alternativas ao açúcar que não elevem a glicemia.
O plano também inclui ações de educação do consumidor, revisão das regras de rotulagem de ingredientes e avaliação do uso de adoçantes alternativos, especialmente aqueles com baixo ou nenhum valor calórico. O tema passou a integrar oficialmente a agenda política do Programa de Alimentos para Consumo Humano da agência para 2026.
A diretriz faz parte de um movimento mais amplo do governo americano, que tem reforçado recomendações para limitar o consumo de açúcar e, ao mesmo tempo, priorizar alimentos como carnes e laticínios nas novas orientações alimentares. Kennedy chegou a classificar o açúcar como “veneno” e criticou duramente adoçantes como o xarope de milho rico em frutose.
Apesar do tom firme, a abordagem da FDA segue a mesma lógica adotada recentemente em relação aos corantes artificiais: estímulo à adesão voluntária, e não à imposição de regras imediatas. Em 2025, a indústria foi orientada a eliminar corantes sintéticos até 2027, o que levou grandes fabricantes a acelerar processos de reformulação.
Na prática, muitas empresas já vinham se antecipando. De acordo com dados da Ingredion, os lançamentos de produtos “sem adição de açúcar” cresceram 4% entre 2020 e 2023. Marcas globais como Oreo, Gatorade e BodyArmor ampliaram seus portfólios com versões de menor teor de açúcar, acompanhando um consumidor cada vez mais atento aos rótulos — e também mais desconfiado dos adoçantes artificiais.
A discussão sobre o açúcar acontece em paralelo a outros pontos relevantes da agenda regulatória americana para 2026. Entre eles, a ampliação do uso do selo voluntário de “saudável”, a definição oficial do que são alimentos ultraprocessados, a aceleração da aprovação de corantes naturais e mudanças no processo de avaliação de ingredientes classificados como “Geralmente Reconhecidos como Seguros” (GRAS).
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Fonte: Food Dive







