A carne cultivada em laboratório tem sido apontada como alternativa para superar desafios enfrentados pela indústria de alimentos de origem vegetal, especialmente no que diz respeito a sabor e textura. Produzida a partir de células animais, ela busca oferecer uma experiência mais próxima das proteínas convencionais. Mas, apesar do potencial, o setor esbarra em novos obstáculos: a regulamentação cada vez mais rigorosa.
Nos Estados Unidos, apenas algumas empresas conseguiram aprovação da FDA para comercializar esse tipo de produto. É o caso da Upside, que trabalha com frango cultivado, e da Wildtype, focada em salmão. Mesmo assim, a venda ainda se restringe a restaurantes, sem chegar ao varejo alimentar. No Texas, por exemplo, as restrições impediram que a Upside avançasse em negociações com redes de supermercados, enquanto a Wildtype teve que limitar a oferta a um restaurante de sushi em Austin.
As empresas alegam que a proibição compromete a expansão do mercado, além de causar perdas financeiras e reduzir as chances de educar os consumidores sobre o produto. A legislação texana prevê penalidades severas para quem desrespeitar a medida: até US$ 25 mil em multas por dia e possibilidade de prisão. A Upside, inclusive, já moveu ações contra outros estados, como a Flórida, que foi o primeiro a proibir a carne cultivada em 2024.
Outro desafio é a baixa conscientização do público. Segundo o Good Food Institute, apenas um em cada quatro consumidores já ouviu falar de carne cultivada. No entanto, há sinais de abertura: um estudo da Universidade de Purdue, em 2024, mostrou que 60% dos entrevistados estariam dispostos a experimentar versões cultivadas de carne bovina, frango ou suína.
Para o setor, a chave do crescimento está justamente em ampliar oportunidades de degustação, aproximando os consumidores dessa nova categoria de proteína. Mais do que tecnologia, trata-se de conquistar confiança e espaço no dia a dia alimentar.
Fonte: Food Dive







