Você já imaginou comer uma barra de chocolate… sem cacau? Pois é, essa realidade já começou a chegar ao mercado e promete crescer nos próximos anos. Várias startups ao redor do mundo estão desenvolvendo alternativas ao tradicional chocolate, usando ingredientes como cevada, feijão-fava e até sementes de girassol para criar produtos que imitam o sabor e a textura do chocolate — sem precisar de grãos de cacau.
O movimento é impulsionado por dois fatores principais: o alto custo do cacau e as preocupações ambientais com o seu cultivo, que tem contribuído para o desmatamento, especialmente na África Ocidental.
Da cevada fermentada ao chocolate artificial
Em Londres, a startup Win-Win, apoiada pelo grupo suíço Edmond de Rothschild, investiu pesado em pesquisa: foram mais de 1.100 testes até encontrar o substituto ideal — a cevada fermentada. Segundo Ahrum Pak, diretora da empresa, o segredo está justamente no processo de fermentação, que permite alcançar um sabor muito próximo ao do chocolate tradicional. A novidade já está sendo usada por marcas como a Dr. Oetker em produtos como biscoitos, bolos e sorvetes.
“Queremos continuar apreciando o chocolate, mas sem causar os danos ambientais que o cultivo do cacau tem provocado”, afirma Pak.
Feijão-fava como alternativa
Outra empresa de Londres, a Nukoko, está apostando em feijões-fava como base para sua versão de chocolate. De acordo com Kit Tomlinson, fundador da empresa, alguns tipos de feijão possuem alto teor de polifenóis — compostos que ajudam a dar cor e sabor similares ao cacau. A Nukoko firmou uma parceria com a marca suíça Halba, da rede Coop, e pretende lançar o produto em breve.
Por não conter cacau, o produto não pode ser legalmente chamado de “chocolate”. Ainda assim, a empresa acredita que isso não será um obstáculo, considerando termos alternativos como choco ou chocolaté.
Sementes de girassol na Suíça
Na Suíça, a tradicional fabricante Stella Bernrain desenvolveu uma barra chamada Choviva, feita com sementes de girassol fermentadas. Lançada em novembro passado, a novidade já conquistou paladares. “Quem prova sem saber que não tem cacau nem percebe a diferença”, afirma Robin Auer, gerente de marketing da empresa. A Stella Bernrain já planeja lançar coelhinhos de Páscoa com o novo produto nos próximos anos.
Uma resposta ao preço do cacau
Além das preocupações ambientais, o custo do cacau também tem sido um fator determinante. Em 2022, a tonelada do grão custava cerca de US$ 2.500. Hoje, esse valor já ultrapassa os US$ 10.000, um aumento de quatro vezes em menos de três anos, segundo o consultor Raphaël Felenbok.
Diante desse cenário, soluções criativas e sustentáveis como essas podem redefinir o futuro do chocolate — um futuro com menos impacto ambiental e novas possibilidades de sabor.