FoodBiz

Collins Foods acelera saída do Taco Bell na Austrália e reforça foco no KFC

A Collins Foods deu um passo decisivo para encerrar sua operação com a marca Taco Bell na Austrália. A companhia firmou um acordo condicional juridicamente vinculativo para transferir 20 das 27 unidades da rede no país para a Australia Holdings, afiliada da Yum! Brands, dona global da marca, e da Restaurant Brands. As sete lojas restantes serão fechadas.

Na prática, a operação confirma um movimento que já vinha sendo sinalizado ao mercado desde abril de 2025, quando a empresa anunciou a intenção de deixar a marca para concentrar esforços em seu negócio principal: o KFC. A prioridade, agora, é ampliar a presença da rede, com destaque para a expansão das 16 lojas na Alemanha.

Os termos do acordo refletem o baixo valor estratégico que a operação do Taco Bell passou a ter para a Collins Foods. A empresa receberá um valor simbólico pela transação, além do estoque e do caixa das 20 lojas transferidas, enquanto os novos controladores assumirão as obrigações de arrendamento. Já o fechamento das sete unidades restantes deve gerar custos extraordinários entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões.

Apesar de o movimento já ser esperado, a reação do mercado foi negativa. As ações da Collins Foods chegaram a cair após o anúncio, em um sinal de que os investidores enxergaram a venda por valor nominal como uma confirmação do fraco desempenho da operação. Ao mesmo tempo, o recuo também sugere que parte do mercado ainda está digerindo o impacto reputacional e financeiro da saída.

Do ponto de vista financeiro, porém, a transação também alivia uma pressão relevante sobre o balanço. Em 31 de março, os passivos de arrendamento ligados aos 27 restaurantes somavam aproximadamente US$ 24 milhões. Ao transferir as lojas e encerrar parte da operação, a Collins Foods reduz esse peso e abre espaço para redirecionar capital e gestão para áreas consideradas mais estratégicas.

Esse reposicionamento ganha ainda mais importância porque a companhia tenta virar a página de um período marcado por perdas ligadas ao Taco Bell. No último ano, baixas contábeis de US$ 40,8 milhões relacionadas à marca afetaram os resultados da empresa. Ao encerrar essa frente, a Collins busca simplificar sua estrutura e reforçar a narrativa de crescimento ancorada no desempenho do KFC. A meta declarada pela administração é entregar crescimento anual do lucro líquido subjacente entre 10% e 15%.

Para parte dos analistas, o mercado pode estar reagindo mais ao simbolismo da saída do que aos fundamentos da operação. A leitura é que a empresa está se desfazendo de um ativo problemático com custo controlado e eliminando uma fonte de instabilidade, enquanto preserva foco total em uma marca mais consolidada em seu portfólio. Nesse contexto, a recente pressão sobre as ações poderia abrir espaço para uma reavaliação futura, caso a execução da estratégia principal avance como planejado.

Nos próximos meses, dois fatores devem concentrar a atenção do mercado. O primeiro é a aprovação regulatória da ACCC, órgão australiano de concorrência, necessária para a conclusão do negócio entre junho e agosto. O segundo é a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, prevista para o fim de junho ou início de julho, quando investidores deverão buscar sinais mais concretos do avanço da expansão do KFC e da melhora operacional da companhia.

O principal desafio para a Collins Foods será convencer o mercado de que a saída do Taco Bell representa uma reestruturação estratégica — e não um sintoma de fragilidade mais ampla. Se conseguir executar bem sua agenda de crescimento com o KFC, especialmente fora da Austrália, a companhia pode transformar um encerramento difícil em ponto de partida para uma nova fase.

Compartilhar

Antes de sair: quer receber os principais insights do foodservice?

Leva 10 segundos. E você passa a acompanhar o que os líderes do setor estão vendo antes.