Campbell’s, Conagra e outras fabricantes apontam pressão de energia, transporte, embalagens e ingredientes e dizem ter menos espaço para absorver custos
Grandes fabricantes de alimentos dos Estados Unidos sinalizam uma nova rodada de reajustes de preços diante do avanço dos custos de produção. Empresas como Campbell’s, Conagra Brands, McCormick e Clorox indicam que a pressão sobre energia, transporte, embalagens e ingredientes está reduzindo a capacidade da indústria de absorver a inflação sem repassá-la ao consumidor.
Segundo informações da Bloomberg, a Campbell’s planeja aumentar entre 4% e 5% os preços de aproximadamente 60% de seu portfólio, principalmente nas categorias de refeições e snacks.
A Conagra Brands, dona de marcas como Healthy Choice, Banquet e Birds Eye, também comunicou varejistas sobre reajustes em diferentes produtos. A companhia atribui a decisão à alta persistente dos custos de insumos, incluindo ingredientes e embalagens.
Já a McCormick, especializada em temperos e condimentos, espera que preços mais elevados contribuam para seus resultados no segundo semestre de 2026.
Custos pressionam margens da indústria
As empresas afirmam que iniciativas de eficiência e redução de despesas já não são suficientes para compensar integralmente o aumento dos custos.
Todd Cunfer, diretor financeiro da Campbell’s, afirmou durante a Conferência Global de Bens de Consumo Básicos do Barclays que elevar preços é a “última alavanca” disponível diante do atual cenário inflacionário.
Além dos ingredientes, fatores como energia, fertilizantes, combustíveis, logística e tarifas de importação estão entre os elementos que pressionam as estruturas de custos.
O preço do diesel nos Estados Unidos também passou a representar uma preocupação adicional para a cadeia de alimentos, devido ao impacto direto sobre transporte e distribuição.
Consumidor já sente inflação acumulada
O desafio para fabricantes e varejistas ocorre em um momento no qual os consumidores norte-americanos já acumulam vários anos de aumentos nos preços dos alimentos.
A Kroger, uma das maiores redes de supermercados dos Estados Unidos, reduziu sua previsão de vendas e apontou queda no volume de produtos comercializados desde o início do ano. A companhia também espera intensificação das pressões inflacionárias.
Segundo especialistas ouvidos pela Bloomberg, fabricantes, distribuidores e varejistas vinham absorvendo parte dos aumentos para preservar preços e competitividade. Com a continuidade da inflação de custos, porém, essa estratégia encontra limites.
O repasse também não acontece necessariamente de maneira imediata. Os varejistas podem decidir absorver parte dos reajustes ou definir quando eles chegarão às prateleiras, considerando concorrência, demanda e sensibilidade dos consumidores aos preços.
Marcas próprias e embalagens menores ganham espaço
A pressão sobre o orçamento também provoca mudanças no comportamento de compra. Consumidores estão buscando marcas próprias, embalagens menores, promoções e diferentes pontos de venda para reduzir gastos.
Dados da Circana apontam que os preços dos alimentos embalados avançaram em ritmo ligeiramente superior ao observado no conjunto de alimentos e bebidas nos Estados Unidos em 2026.
Para Sally Lyons Wyatt, consultora-chefe de insights da Circana, o principal desafio está no efeito acumulado dos últimos anos. Mesmo que os reajustes atuais não sejam tão elevados isoladamente, eles se somam a aproximadamente cinco anos de inflação.
Empresas tentam limitar novos repasses
Nem todas as fabricantes planejam aumentos generalizados.
A General Mills afirmou que não prevê, neste momento, novos reajustes amplos. A companhia havia reduzido preços-base de alguns produtos para aumentar sua competitividade e registrou melhora nas vendas.
A Kraft Heinz também declarou que busca manter os aumentos no menor nível possível e estima absorver cerca de 80% da inflação enfrentada pela companhia em 2026. Ainda assim, a empresa admite acompanhar os movimentos do mercado em categorias submetidas a maior pressão inflacionária.
A Clorox, por sua vez, anunciou reajustes seletivos, incluindo produtos alimentícios da marca Hidden Valley.
O movimento das grandes fabricantes evidencia um desafio que deve continuar no radar do setor: equilibrar custos crescentes, preservação das margens e um consumidor cada vez mais sensível a preço.
Com informações da Bloomberg.







