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Ingredion fica mais seletiva com boom de reformulações

A onda de reformulações no setor de alimentos está levando a Ingredion a ajustar sua estratégia — e isso diz muito sobre para onde o mercado está caminhando.

Com a pressão crescente por produtos com mais proteína, menos açúcar e rótulos mais limpos, a companhia, com mais de 120 anos de atuação, passou a ser mais seletiva nas parcerias e categorias em que decide atuar. A mudança reflete um cenário de demanda recorde por parte de indústrias que buscam adaptar seus portfólios às novas expectativas do consumidor.

Presente em mais de 120 países e atendendo cerca de 17 mil clientes, a Ingredion vem sendo cada vez mais acionada por empresas que querem reformular produtos de forma mais rápida e eficiente. Segundo o CEO Jim Zallie, isso exige uma relação muito mais próxima e estratégica com os clientes — o que, na prática, implica fazer escolhas.

Hoje, a empresa avalia com mais rigor quais parcerias fazem sentido. Entre os critérios estão o alinhamento com tendências como clean label e marcas próprias, o potencial de crescimento do cliente e o impacto da parceria em margens e vendas. A lógica é clara: concentrar esforços onde há maior aderência ao futuro do consumo.

Esse movimento também acompanha uma transformação no papel da própria Ingredion. Mais do que fornecedora de ingredientes, a companhia vem se posicionando como parceira de inovação. Um exemplo disso é o avanço do seu segmento de soluções, que já ultrapassou US$ 1 bilhão em vendas e figura entre os que mais crescem dentro da empresa.

Na prática, isso significa atuar diretamente no desenvolvimento de produtos — desde melhorar a textura de uma barra proteica até garantir que uma batata frita mantenha a crocância no delivery. A empresa também acelerou seus processos: hoje, consegue entregar protótipos viáveis em até 15 dias, um avanço significativo frente aos cerca de três meses necessários no passado.

Outro pilar dessa estratégia é a estrutura global de inovação, com 32 “laboratórios de ideias” que conectam cientistas de alimentos, chefs e clientes para co-criar soluções. O objetivo é aumentar a taxa de sucesso dos produtos no mercado — e, consequentemente, fortalecer relações de longo prazo.

O pano de fundo dessa transformação é um consumidor mais exigente e um mercado mais pressionado por inovação. Com a redução de gastos e o avanço das marcas próprias, especialmente entre consumidores mais jovens, as indústrias precisam responder com mais agilidade e relevância.

Nesse contexto, iniciativas como o movimento “Make America Healthy Again” ainda estão em estágio inicial, mas apontam para uma possível aceleração das mudanças em ingredientes e formulações.

Para o foodservice e toda a cadeia de alimentos, o recado é direto: reformular não é mais opcional — e quem conseguir fazer isso com velocidade e consistência terá vantagem competitiva.


Fonte: Food Dive

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