Fabricante suíça aposta na redução dos preços do cacau e em valores mais baixos ao consumidor para recuperar volumes em 2027
A Lindt planeja reduzir os preços de seus chocolates de forma mais ampla a partir de janeiro, após enfrentar desaceleração nas vendas e maior sensibilidade dos consumidores aos preços em mercados importantes.
A fabricante suíça já iniciou ajustes nos valores de produtos sazonais de Natal e pretende ampliar a estratégia no início de 2027. O movimento ocorre depois de a companhia revisar, pela segunda vez neste ano, sua projeção de crescimento das vendas.
A expectativa de crescimento orgânico para 2026 passou para uma faixa entre 0% e 2%. Anteriormente, a Lindt projetava avanço entre 4% e 6%.
Entre os fatores que pressionaram o desempenho estão a demanda mais fraca em países como Alemanha, Suíça e Áustria e a resistência dos consumidores aos preços mais elevados. As altas temperaturas durante o verão europeu também afetaram o consumo de chocolates.
Queda do cacau abre espaço para preços menores
Nos últimos anos, a disparada do preço do cacau levou fabricantes de chocolate a promover sucessivos reajustes para proteger suas margens. Agora, a mudança no comportamento da commodity começa a abrir espaço para uma estratégia diferente.
Segundo Adalbert Lechner, CEO da Lindt, a política de hedge adotada pela companhia fez com que os efeitos da queda do cacau ainda fossem limitados em 2026. A expectativa, entretanto, é de um impacto mais favorável no próximo ano.
“Com nossa estratégia de hedge, não nos beneficiamos significativamente da queda nos preços do cacau neste ano, mas veremos um impacto positivo no próximo ano, o que nos permitirá oferecer preços mais baixos”, afirmou o executivo.
A empresa espera que a combinação entre redução de preços e maiores investimentos na marca ajude a recuperar os volumes vendidos em 2027.
A estratégia já começou a ser testada. Segundo Lechner, reduções de preços implementadas em agosto em alguns dos principais mercados da companhia mostraram uma relação direta com a evolução dos volumes.
Lindt busca recuperar demanda
A revisão das projeções também repercutiu no mercado financeiro. As ações da Lindt chegaram a recuar 8% no pregão em Zurique após a divulgação das novas expectativas. Até o fechamento do dia anterior ao anúncio, os papéis acumulavam queda superior a 25% no ano.
Além dos ajustes de preços, a companhia estuda novas formas de adaptar sua operação às mudanças no consumo. Entre as iniciativas está a ampliação dos investimentos em equipamentos para sorvetes nas lojas e a avaliação da oferta de produtos refrigerados.
A estratégia busca reduzir a exposição do negócio à sazonalidade e aos efeitos de verões mais quentes sobre o consumo tradicional de chocolates.
Com a perspectiva de custos mais favoráveis para o cacau, a Lindt entra em 2027 com o desafio de equilibrar preços mais competitivos, recuperação dos volumes e preservação do posicionamento premium construído pela marca.







