O mercado de drinks comestíveis ganha um novo capítulo com a entrada de Monique Evelle no capital da Ositos, foodtech espanhola que desenvolveu bebidas alcoólicas em formato sólido. A empresária participa de uma rodada estratégica de R$ 2 milhões, movimento que marca sua estreia como investidora na Europa e reforça o interesse do setor por novos formatos de consumo em alimentos e bebidas.
A Ositos criou uma categoria própria ao transformar clássicos da coquetelaria em gummies com teor alcoólico de 15%. O produto dispensa copo, gelo e refrigeração, apostando em conveniência, portabilidade e forte apelo social — atributos cada vez mais alinhados ao comportamento de consumidores urbanos.
Drinks comestíveis e novos rituais de consumo
Mais do que uma inovação de produto, os drinks comestíveis se posicionam como uma alternativa aos rituais tradicionais de consumo de bebidas alcoólicas. Para Monique Evelle, o investimento está diretamente ligado à criação de novos hábitos. A proposta não substitui bares ou coquetéis clássicos, mas atende ocasiões em que praticidade e compartilhamento são centrais, como festivais, viagens e encontros informais.
A tecnologia desenvolvida pela Ositos permite manter o álcool estável em uma estrutura sólida, viabilizando sabores inspirados em receitas conhecidas como Mojito, Piña Colada, Margarita e Gin Tonic. Esse diferencial técnico sustenta a escalabilidade do modelo e amplia suas possibilidades de entrada no varejo.
Escala, mercado e atenção da indústria
Atualmente, a Ositos comercializa cerca de 5 milhões de unidades por ano e está presente em mais de 250 pontos de venda na Espanha e em Portugal. O crescimento acelerado colocou a marca no radar de grandes players do setor, incluindo fabricantes tradicionais de balas e confeitos, sinalizando uma convergência entre categorias antes pouco conectadas.
Os dados de mercado ajudam a explicar esse interesse. O mercado global de gummies foi avaliado em US$ 9,72 bilhões em 2023 e deve ultrapassar US$ 23 bilhões até 2030, segundo a Grand View Research. Quando combinado ao mercado global de bebidas alcoólicas, estimado em US$ 1,7 trilhão, o potencial de inovação em drinks comestíveis se amplia de forma relevante.
Expansão internacional e conexão com o Brasil
A entrada de Monique Evelle representa um ponto de virada para a Ositos. A foodtech tem como meta alcançar mais de mil pontos de venda até o fim de 2026 e avançar para outros mercados europeus nos próximos anos. O investimento também abre espaço para uma via de mão dupla: a possível introdução da tecnologia de gomas alcoólicas no Brasil.
Na avaliação da investidora, o mercado brasileiro reúne características favoráveis, como forte cultura de socialização e abertura a novos formatos de consumo. A estratégia inclui ainda preparar marcas brasileiras de seu portfólio para processos futuros de internacionalização, sempre com atenção à aderência cultural e à relevância local.
Foodtech, comportamento e inovação
O movimento reforça uma tese cada vez mais presente no ecossistema de foodtechs: inovar não significa apenas desenvolver novos ingredientes ou tecnologias, mas entender e redesenhar comportamentos de consumo. A mudança do estado físico do álcool é apenas uma parte de uma equação mais ampla, que conecta experiência, conveniência e novos momentos de uso.
Para a indústria de alimentos e bebidas, iniciativas como essa apontam oportunidades em categorias híbridas, formatos alternativos e propostas que dialogam com estilos de vida urbanos e experiências compartilhadas — temas que seguem no radar do foodservice global, como destaca o Portal Foodbiz.
Fonte: Forbes







