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Alimentos caros e agricultores em risco: o efeito da repressão a imigrantes nos EUA

hotographer: Emree Weaver/Bloom/Emree Weaver/Bloomberg

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos emitiu um alerta contundente: a repressão à imigração promovida pelo governo Trump devastou a força de trabalho agrícola e pode colocar em risco o abastecimento de alimentos no país.

De acordo com a reportagem da Bloomberg Línea, essa escassez de mão de obra ameaça tanto os agricultores — já prejudicados pelas tarifas impostas pelo governo — quanto os consumidores, que enfrentam preços cada vez mais altos nos supermercados e restaurantes.

“O quase total bloqueio da entrada de imigrantes em situação irregular, somado à falta de mão de obra legal disponível, ameaça a estabilidade da produção de alimentos e os preços para os consumidores americanos”, afirmou o documento do Departamento do Trabalho.

O setor agrícola confirma a gravidade da situação. Beth Ford, CEO da Land O’Lakes e presidente do comitê de imigração da National Business Roundtable, declarou que a falta de trabalhadores é tão crítica que pode se tornar “um evento imprevisível” para a economia rural dos EUA.

Pesquisas recentes do Pew Research Center mostram que 65% dos americanos estão “muito preocupados” com o preço dos alimentos — um reflexo direto da crise de abastecimento e das políticas de imigração mais rigorosas.

As medidas coercitivas do governo, como deportações em massa e bloqueios de fronteira, paralisaram o fluxo de trabalhadores agrícolas, responsáveis por colher, embalar e processar grande parte dos alimentos consumidos no país.

Enquanto isso, a Casa Branca ainda não apresentou soluções concretas. A promessa de um resgate financeiro aos agricultores, feita por Trump em setembro, não se concretizou. E, apesar de reconhecer a importância dos imigrantes para o campo, o presidente não apresentou propostas sólidas para resolver a escassez de mão de obra.

O programa de vistos temporários H-2A, que permite a contratação de trabalhadores sazonais, não é suficiente para suprir a demanda. Além de burocrático, ele envolve custos altos e não cobre funções permanentes. Mesmo com salários mais altos, o relatório do Departamento do Trabalho aponta que poucos americanos estão dispostos a ocupar esses cargos.

O resultado: preços mais altos, produtos frescos em falta e pressão sobre os consumidores, que acabam pagando a conta de políticas migratórias restritivas.

Como destaca a Bloomberg Línea, essa situação pode ter reflexos políticos. Se o custo dos alimentos continuar subindo, o Partido Republicano pode enfrentar dificuldades nas próximas eleições legislativas — especialmente considerando que parte da popularidade de Trump se deveu, ironicamente, à promessa de reduzir os preços dos mantimentos.

Para especialistas ouvidos pela Bloomberg, o país precisa de uma reforma migratória abrangente que atenda às necessidades do setor agrícola sem recorrer à brutalidade das batidas de imigração. Uma política mais equilibrada poderia reduzir as travessias ilegais e, ao mesmo tempo, garantir estabilidade para os agricultores e consumidores.

“Trump se orgulha de fechar acordos impossíveis. Foi isso que prometeu aos americanos — e isso inclui reduzir o preço dos mantimentos”, conclui Lopez.

Esta coluna reflete as opiniões pessoais da autora e não necessariamente as do conselho editorial da Bloomberg LP ou de seus proprietários.

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