FoodBiz

Fraudes em alimentos de origem vegetal acendem alerta no Brasil

Uma reportagem recente do Globo Rural revelou um cenário preocupante para o consumidor brasileiro: a adulteração de alimentos de origem vegetal segue em alta e movimenta um mercado clandestino bilionário. À primeira vista, produtos como azeite, água de coco ou farinha de mandioca parecem inofensivos nas prateleiras. O problema é que muitos deles escondem misturas ilegais, substituições de ingredientes e até contaminações capazes de comprometer a saúde e a qualidade do que chega à mesa.

Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), levantados especialmente para o Globo Rural, 2025 tem sido um ano marcado por diversas irregularidades em diferentes regiões do país. Entre os casos mais frequentes estão o uso de óleos de soja e milho no lugar do azeite de oliva extravirgem, a adição de água no vinho e a presença de açúcar de cana em água de coco industrializada.

O Mapa reforça que a maioria dessas adulterações não pode ser percebida visualmente pelo consumidor, exigindo análises laboratoriais para identificar fraudes. Isso torna ainda mais importante o hábito de verificar rótulos e desconfiar de preços muito abaixo do mercado.

Alimentos vegetais mais fraudados em 2025

De acordo com o levantamento solicitado pelo Globo Rural, nove categorias lideram as apreensões:

1. Água de coco
– Fraude: substituição por açúcar de cana, edulcorantes e aromatizantes
– Quantidade apreendida: 661.716 litros

2. Azeite de oliva
– Fraude: uso de óleos de outras procedências e corantes
– Quantidade apreendida: 16.700 litros

3. Café (grão cru)
– Fraude: produto de baixa qualidade com impurezas acima do limite legal
– Quantidade apreendida: 68 toneladas

4. Café (torrado e moído)
– Fraude: uso de ingredientes impróprios como palha, milho ou açaí
– Quantidade apreendida: 36 toneladas

5. Farinha de mandioca
– Fraude: mistura com farinhas mais baratas ou corantes não permitidos
– Quantidade apreendida: 22 toneladas

6. Polpa de fruta
– Fraude: substituição de suco por ingredientes mais baratos
– Quantidade apreendida: 438.504,60 kg

7. Suco ou sumo
– Fraude: substituição de suco por ingredientes mais baratos
– Quantidade apreendida: 370.802 litros

8. Vinagre (de vinho ou fruta)
– Fraude: substituição por fermentado alcoólico e corantes
– Quantidade apreendida: 27.116,50 litros

9. Vinho
– Fraude: troca do mosto de uva por água, corantes e destilado alcoólico
– Quantidade apreendida: 215.297,80 litros

Como o consumidor pode se proteger

Diante da dificuldade de identificar adulterações apenas olhando o produto, o Mapa orienta alguns cuidados básicos:

  • Desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado ou “ofertas milagrosas” na internet
  • Verificar se a embalagem está íntegra e sem sinais de violação
  • Prestar atenção a erros de grafia, logotipos desalinhados e cores fora do padrão
  • Buscar informações sobre a empresa na internet — marcas envolvidas em irregularidades costumam ter histórico divulgado por órgãos de controle
  • Checar o registro do estabelecimento e do produto no rótulo

A matéria completa está disponível no Globo Rural e reforça a importância de fortalecer sistemas de inspeção, ampliar a fiscalização e investir em educação do consumidor. Para o setor de foodservice, acompanhar esse movimento é essencial, garantindo transparência, segurança alimentar e confiança em toda a cadeia.

Compartilhar